‘Eu já estaria morto se não fosse pelo esporte’: a história selvagem de Walysson Aguiar, do Brave CF 78


Walysson Aguiar foi baleado duas vezes aos 13 anos e depois abandonado pela mãe em Fortaleza, Brasil. “Salvo” pelas artes marciais, ele agora tenta aproveitar uma oportunidade de última hora no Brave CF 78, quinta-feira, em sua cidade natal.

Aguiar acordou numa manhã de quarta-feira e foi para a academia como qualquer outro dia. Seu turno como segurança começou depois do almoço, então ele teve bastante tempo para treinar no V8 MMA, mas tudo mudou quando seu telefone começou a tocar sem parar às 10h28.

Joilton Lutterbach havia perdido peso momentos antes na luta principal contra Luan Santiago no Brave 78. Manuel Mena também chegou acima do peso para a luta com Marcelo Marques, então a empresa o colocou contra Santiago. Marques estava no ponto na balança, mas ficou sem adversário, então o técnico do V8 MMA ligou para Aguiar com a oferta.

“Você está ferido? Quanto você pesa agora? Moura perguntou.

Aguiar, peso galo natural, pesava cerca de 158 quilos na época e ficou chocado ao ouvir uma oferta para lutar no dia seguinte no peso catch de 158 quilos. Demorou um pouco para processar a ideia, mas Aguiar correu para o hotel para subir na balança antes que a janela de pesagem fechasse, então a luta foi oficializada.

“Todo mundo fala que não tenho obrigação de vencer porque sou substituto, mas não penso assim”, disse Aguiar ao MMA Fighting. “Estou muito focado no que faço e vou lá para vencê-lo, ponto final. Ele não quer isso mais do que eu.

Aguiar, 28 anos e 3-1 no esporte, sempre sonhou em ser um MMA profissional. Aguiar disse que sua esposa não apoiava muito a ideia, diminuindo ocasionalmente suas chances e rotulando-o de “lutador de quintal”. A coisa chegou a um ponto em que o casamento acabou e Aguiar teve que sair de casa, a mulher e os dois filhos.

“Essa luta será uma virada na minha vida”, disse Aguiar. “Deus me deu essa oportunidade porque sou capaz. É tudo combustível para mim.”

Aguiar ainda teve que trabalhar como segurança após a pesagem e se recusou a alugar um quarto no chique hotel anfitrião do Brave CF, em Fortaleza, para ficar mais perto dos filhos. Seus filhos são uma prioridade para o lutador de MMA. Aguiar passou noites dormindo em uma praça pública próxima só para estar perto deles, disse ele.

“A vida melhorou um pouco depois que meu treinador me deu esse trabalho como segurança, para que eu pudesse manter minha mente mais ocupada, mas desde que saí de casa tenho pulado o tempo todo”, disse Aguiar. “Não tenho nenhum apoio além do meu treinador. Não tenho patrocinadores, nada. Cheguei a caminhar 32 milhas até a academia para treinar porque não tinha dinheiro para pagar a viagem de ônibus. Há dias em que simplesmente não durmo, mas meus filhos são meu combustível e quero dar-lhes uma vida melhor.”

Toda essa luta e sacrifício, disse ele, não é nada comparado ao que passou quando era adolescente.

“Levei dois tiros e passei meses no hospital quando tinha 13 anos”, disse Aguiar, que se envolveu com traficantes locais. “Não tenho pai nem mãe, então as ruas me acolheram. Eu venderia drogas e faria tudo o que tivesse que fazer. Havia brigas o tempo todo nas ruas, e um dia um homem de moto passou e me deu dois tiros na perna e nas costelas. Se estou vivo hoje, é por causa de Deus. Não tive infância, nem juventude.”

Aguiar disse que sua mãe saiu de casa logo depois, deixando dois filhos para trás. Quinze anos depois, Aguiar acredita “no fundo da alma que vou vencer neste desporto” e dar um futuro melhor aos seus filhos.

“Esta é a minha vida”, disse Aguiar. “Isso é o que eu respiro. O esporte me mudou, me tirou das ruas. Eu já estaria morto se não fosse pelo esporte. Mas acredito mesmo que estarei nos maiores palcos do mundo do MMA não só porque mereço isso, mas porque nasci para isso.”

E quando a jaula fecha na noite de quinta-feira em Fortaleza e Aguiar enfrenta o talento 8-0 Marcelo Marques no Brave CF 78 – uma co-promoção entre a empresa sediada no Bahrein e a organização local de MMA Victorious MMA – Aguiar disse que sabe o que vai acontecer.

“O acampamento que ele fez e a estratégia que traçou para o adversário anterior não vão mudar nada”, disse Aguiar. “Cada vez que treino na academia é como um acampamento e estou pronto para ele. Vou ser bem específico aqui: quero derrotá-lo por finalização, mata-leão. Vou dar uma boa mão nele e depois termino a luta com uma finalização.”

Marcelo Marques x Walysson Aguiar
Foto via Brave CF



Fonte: mma fighting