Mbappé vive horas de ansiedade no Real Madrid, vítima dos seus fracassos e do funcionamento irregular da equipa, razão pela qual aquela tão esperada contratação é atualmente alvo de ridículo e censuras.
A recompensa por sete anos de espera ainda não chegou. Os torcedores do Real Madrid desejavam tanto a contratação de Kylian Mbappé que nos primeiros meses como jogador merengue seu desempenho beirava o ridículo.
Assim que pisou na ‘casa branca’ antes de uma apresentação apoteótica, os meios de comunicação ligados ao Real Madrid começaram a criar a narrativa de ter nas suas fileiras o “melhor jogador de futebol do mundo”, o homem que assumiria o bastão do Messi e Cristiano.
No momento, estamos a anos-luz de alcançá-lo. É verdade que está a meio da fase de adaptação, é um avançado fantástico, mas por enquanto não está a trabalhar, mesmo que acabe por marcar um gol contra equipas do meio da tabela e abaixo em Espanha.
Mbappé está habituado aos holofotes, a ser a grande referência, o líder, aquele que monopoliza as atenções, e era evidente que em Madrid não teria esse estatuto pelo simples facto de pôr os pés no balneário.
Agora, no aspecto futebolístico não é o melhor em termos associativos, é muitas vezes derrotado pelo seu individualismo e protagonismo, que tem ficado evidente em vários jogos. Geralmente é ele quem recebe os serviços de gol, até mesmo de outro solista como Vinícius – hoje lesionado – mas não quem os presta.
Obviamente que é cedo para condená-lo, tem 25 anos, está no auge da carreira e em teoria trará muitas alegrias aos adeptos do Real Madrid. Vale lembrar que Cristiano Ronaldo também não fez uma primeira temporada espetacular vestido de branco.
Ocorre que a pressão para atuar desde o minuto 1 não é um cenário ao qual o francês está habituado, já que no PSG habituou-se a ser comemorado absolutamente tudo, inclusive a sua grosseria, sem quaisquer consequências.
2:42
A responsabilidade está sendo atribuída a Mbappé?
A Geração F analisa se Mbappé decepcionou com suas atuações no Real Madrid.
Claro que nesta primeira metade da temporada também foi vítima do funcionamento irregular da equipa que perdeu a sua bússola, Toni Kroos, e consequentemente o seu equilíbrio. Porém, neste momento Mbappé não tem conseguido responder aos grandes palcos.
Para citar três exemplos concretos, não o fez no clássico, onde depois de marcar e comemorar simulando sua definição, passou da emoção à decepção porque o gol foi anulado por impedimento, e nas demais vezes em que apareceu foi para estar na mesma posição, para frente.
Contra o Liverpool, na semana passada, ele foi incumbido de assumir a liderança do ataque na ausência de Vinícius e além de falhar nessa missão, se tornou o vilão ao perder um pênalti em um momento chave do jogo.
A fotografia que correu o mundo em que aparece enfiando a cabeça na relva retratou com fidelidade não só a sua atuação frente aos ‘Reds’, mas o momento que vive.
Finalmente, esta semana contra o Athletic Club, um rival sempre competitivo, Kylian voltou a decepcionar os milhões de torcedores do Real Madrid que esperam para desfrutar das alegrias que ele lhes trará. Ele perdeu mais uma penalidade máxima e com isso sua equipe perdeu a possibilidade de tirar o Barcelona da liderança da LaLiga em poucos dias.
“Mbappé está naquele processo de ansiedade em que quando toca na bola quer fazer a jogada da sua vida”, resumiu Jorge Valdano nos últimos dias.
E sim, não se esqueceu de jogar, não ficou mal quando vestiu o ‘9’ branco nem o medo do palco o dominou. Ele é responsável por seus fracassos e vítima de uma operação cheia de altos e baixos.
Ele tem muito tempo pela frente para se recuperar e compensar os torcedores do Real Madrid que há tantos anos ansiavam por sua chegada, embora por enquanto seus rivais gostem do meme – o tiro na cabeça – da contratação dos sonhos.
Fonte: ESPN Deportes


