Depois de mais de uma década de espera, a cidade de Penedo se prepara para um momento histórico: o início do julgamento do caso Roberta Dias, marcado para os dias 23, 24 e 25 de abril. Treze anos se passaram desde o crime brutal que tirou a vida da jovem grávida de apenas 18 anos — e até hoje, ninguém foi condenado.
O assassinato, envolto em detalhes que chocaram o município e repercutiram em todo o estado, é lembrado não só pela crueldade, mas pela longa espera por justiça. Roberta, sem chance de defesa, teve a vida interrompida junto com a do filho que ainda carregava no ventre.
Agora, diante do tribunal do povo, os réus finalmente encararão o júri popular. A comoção tomou conta da cidade, e o sentimento é de cobrança. A mãe de Roberta, em um apelo emocionado, traduz a dor de uma espera que parecia interminável.
— Eh, eu vim aqui pedir a vocês que depois de 13 anos, esse dia está chegando de ver os réus. Eu espero que vocês, jurados, façam justiça pelo crime de Roberta. Que não teve chance de se defender, nem o filho dela teve a oportunidade de vir ao mundo. Então, como eu e toda a sociedade penedense, o estado de Alagoas, esse crime repercutiu. Nós queremos justiça, que os assassinos paguem pelo que fizeram por esse crime bárbaro, só por conta de um inocente vir ao mundo que não pediu, né, para ser gerado. Então, como eu e vocês todo esse tempo esperou por justiça… a justiça agora está marcada. 23, 24 e 25. Então vamos colocar esses monstros na cadeia. Está na mão de vocês — declarou.
O julgamento reacende uma ferida aberta na memória coletiva de Penedo. Não se trata apenas de condenar culpados, mas de garantir que crimes como esse não fiquem impunes. O tempo passou, mas a dor e a indignação permanecem. Agora, resta saber se a justiça virá — ainda que tardiamente — para Roberta e para todos que acompanharam essa história marcada por silêncio, sofrimento e esperança.


