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USDT e Bitcoin movimentaram R$14,7 bilhões só no mês de junho

Junho de 2025, sem dúvidas, marcou o mercado cripto brasileiro com o USDT (Tether) e o Bitcoin movimentando juntos R$ 14,7 bilhões em negociações no país, volume superior à média mensal do primeiro trimestre. Os números mostram que, mesmo em meio a tensões geopolíticas e mudanças regulatórias, as criptos seguem atraindo capital local.

USDT e Bitcoin impulsionam o mercado brasileiro

A arrancada foi puxada sobretudo pelo USDT. Segundo o relatório Biscoint Monitor, o par USDT/BRL saltou de R$ 7,29 bilhões em maio para R$ 9,63 bilhões em junho, alta de 32%. As negociações de Bitcoin também cresceram, mas num ritmo mais suave, com R$ 5,1 bilhões, incremento de 5,7% no mesmo intervalo.

Esse avanço ocorreu em meio à queda do dólar de R$ 5,69 para R$ 5,57, fato que enfraqueceria a tese de dolarização, mas que, na prática, reforçou a busca por proteção cambial via stablecoins. E, embora a Binance ainda concentre a maior parte da liquidez, a os dados do mês mostram uma leve redistribuição de mercado.

No par BTC/BRL, a exchange global respondeu por 53,5% dos volumes, enquanto as brasileiras Mercado Bitcoin (19,9%) e BitPreço (14,8%) avançaram sobre o share da líder. Já no par USDT/BRL, a dominância da Binance segue ampla, com 81,9% de participação. Isso mostra que o mercado está aberto para novos projetos.

Seja cripto ou de exchange, os investidores brasileiros estão analisando prós e contras através de benefícios, segurança e praticidade. As corretoras cripto sem KYC também tem sua parcela nesse público e, com seu cadastro rápido sem burocracia documental, atrai adeptos do anonimato. Então, nomes menos conhecidos estão entrando nessa luta.

Volume recorde de stablecoins: Por que o USDT disparou

A preferência por stablecoins é óbvia. Houve um aumento do uso do USDT como meio de pagamento e reserva de valor, especialmente para remessas internacionais de freelancers e importadores que querem escapar do spread bancário tradicional. Mas a incerteza regulatória acerca do Real Digital (Drex) também tem seu peso.

Enquanto o Banco Central ancora expectativas de lançamento para 2026, muitos usuários já testam a conveniência das stablecoins para pagamentos instantâneos. O próprio BACEN relata que o Drex deve agregar contratos inteligentes e reduzir intermediários. Mas, até lá, Tether reina soberano.

O salto de 32% nas negociações de USDT coincidiu, ainda, com uma inflação anual de 5,35%, medida pelo IPCA de junho, superando o centro da meta de 3%. Em momentos de pressão nos preços, investidores migram para instrumentos que replicam o dólar de forma eficiente, mas sem a burocracia de abrir conta em banco norte‑americano.

Outro fator importante é a curva de juros. Embora a Selic permaneça em 15% ao ano, títulos curtos pagam menos de 1,1% líquido ao mês, tornando o “carregamento” de stablecoins, que podem render em plataformas de staking ou em DeFi, relativamente mais atraente, mesmo com o risco de contraparte.

O fortalecimento do USDT também reflete maior profundidade de mercado. A média diária de negociações saltou de 41,28 milhões para 57,66 milhões de unidades de Tether entre maio e junho.

Fatores macro que sustentam o apetite por cripto

O avanço de Mercado Bitcoin e BitPreço ocorreu em parte porque essas plataformas conseguiram manter os spreads do par BTC/BRL baixo, atraindo arbitradores que lucram na diferença de preço com a Coinbase e com a própria Binance. A participação de mais da metade da líder ainda é alta, mas caiu quase cinco pontos em um mês.

No USDT, a hegemonia de 81,9% da Binance mostra que stablecoins ainda correm em “pista própria”, mais sensível ao custo de liquidez global do que à vantagem cambial local. O ganho de market‑share das brasileiras também está ligado à possibilidade de saques instantâneos via PIX e nulidade de tarifas.

Enquanto isso, a Binance reteve usuários de maior ticket por oferecer liquidação off‑chain entre pares e programas VIP progressivos. Mas, além do IPCA acima do teto da meta, o mercado precificou riscos adicionais. Como as tensões no Oriente Médio, em abril, Israel contra‑atacou bases iranianas, e o barril de petróleo subiu 7%.

O que o recorde de volume sinaliza para o segundo semestre

A Medida Provisória 1.303/2025, publicada em junho, muda a regra do jogo ao extinguir a faixa de isenção de Imposto de Renda para vendas mensais de cripto até R$ 35 mil e ao criar uma alíquota única de 17,5% sobre o ganho de capital. O texto ainda tramita no Congresso, mas deve entrar em vigor no primeiro dia útil após a conversão em lei.

E com cobrança retroativa a janeiro caso os parlamentares não alterem o artigo 16. A Receita argumenta que a equalização vai reduzir distorções entre ativos digitais e fundos de investimento tradicionais, mas operadores já revisam suas estratégias.

Parte estuda fracionar ordens em OTCs, outra avalia migrar a custódia para plataformas globais que permitem sacar stablecoins diretamente para carteiras frias. A alta no volume de USDT/BRL em junho reforça a vocação das stablecoins como elo entre o real e o dólar.