A volta do interesse de varejo por altcoins já aparece nos dados públicos do Google. As consultas pela palavra altcoin atingiram o maior patamar desde 2021, enquanto a palavra Ethereum alcançou o pico de dois anos. Isso coincide com a multiplicação de pedidos de ETFs de cripto fora do Brasil e, por aqui, com a ampliação do acesso a produtos regulados na B3.
Esses sinais ajudam a explicar a nova rodada de atenção para além do Bitcoin no 2º semestre de 2025. Ao consolidar os dados do Trends, o tema ganha tração conforme os gestores e as empresas reequilibram a exposição em ativos digitais, inclusive com ETH e SOL entrando nos caixas corporativos.
Como o interesse se traduz em negociação no Brasil
No mercado doméstico, a porta de entrada para altcoins migrou do “cripto nativo” para o ecossistema B3. Além dos ETFs de cripto já conhecidos, como HASH11 (cesta), ETHE11 (Ether) e QETH11 (Ether), a bolsa ampliou a gama de instrumentos para investidores locais, reduzindo fricções operacionais e trazendo liquidez onshore.
O avanço mais recente foi a estreia, em 16 de junho de 2025, dos contratos futuros de Ethereum e de Solana na B3. Os derivativos são referenciados a índices Nasdaq (Ether Reference Price e Solana Reference Price) e têm tamanhos acessíveis, 0,25 ETH por contrato de Ether e 5 SOL por contrato de Solana.
Também tem horários de negociação alinhados ao pregão regular (9h-18h30), permitindo tanto proteção (hedge) quanto estratégias de alavancagem sob supervisão local. Para o investidor que se expõe a altcoins via bolsa, entender as plataformas para negociar futuros de criptomoedas tornou-se parte do “básico” da gestão de risco.
Sobretudo quando a volatilidade acelera na esteira de ciclos de busca e notícias. Segundo a B3, os vencimentos ocorrem na última sexta-feira de cada mês, o que facilita a rolagem sistemática de posições.
O que mostram as buscas do Google
O Google Trends mede interesse relativo em uma escala de 0 a 100. Ele não prevê preços, mas costuma indicar janelas em que a curiosidade do varejo se intensifica, algo que, geralmente, acompanha fases mais quentes para altcoins.
Nas últimas semanas, o termo “altcoin” renovou as máximas desde 2021 e “Ethereum” chegou ao maior nível em dois anos. Ao mesmo tempo, o interesse por “Bitcoin” vinha oscilando, com entradas e saídas de fluxo de varejo, reforçando a leitura de que parte da atenção migrou para outros tokens.
Tesourarias corporativas e os ETFs de altcoins que ganham tração lá fora
Nos Estados Unidos, a temporada de arquivamentos em bolsas como a Cboe BZX escancarou o apetite por ETFs além de BTC/ETH, com propostas para veículos atrelados a SOL, XRP e outros criptoativos. A página pública da Cboe reúne os 19b-4 mais recentes, e decisões vêm sendo postergadas enquanto a SEC estuda aspectos técnicos.
Analistas de ETF vêm elevando as probabilidades de aprovação de ETFs de altcoins para 2025, um pano de fundo que ajuda a explicar a alta nas buscas. Enquanto isso, o Brasil se antecipou em um caso emblemático.
Em 25 de abril, a B3 passou a negociar o XRPH11, primeiro ETF spot de XRP do mundo, sob gestão da Hashdex e administração da Genial. A própria B3 detalhou que o fundo replica o Nasdaq XRP Reference Price Index e mantém no mínimo 95% do patrimônio em XRP, diretamente ou via instrumentos que espelham o índice.
Outra peça dessa história está nas tesourarias corporativas. Um relatório do Standard Chartered apontou que empresas já acumularam cerca de 1% do supply de ETH desde o início de junho e poderiam atingir 10% no médio prazo, impulsionadas pelo staking e pela utilidade do ecossistema.
Nomes listados em bolsa vêm divulgando posições relevantes em altcoins. A Upexi comunicou que superou 2 milhões de SOL em sua tesouraria no início de agosto. A DeFi Development Corp. relatou ter alcançado 1,42 milhão de SOL, com validação própria para gerar rendimento.
E a BitMine virou referência de estratégia agressiva em ETH. O ponto é claro, quando empresas listadas anunciam compras volumosas, o assunto sai do “criptotwitter” e entra no noticiário econômico mainstream, retroalimentando o interesse de varejo captado nas buscas.
Brasil: Dados, produtos e preços em reais
Para quem acompanha o mercado em reais, os dados de cotações e histórico dos ETFs locais ajudam a enxergar a dinâmica de altcoins no dia a dia. A lista pública de ETFs cripto listados na B3, de cestas amplas como o HASH11 a veículos monotema como ETHE11 e QETH11, mostra como o cardápio doméstico ficou mais diverso desde 2021.
No campo regulatório, o Brasil criou o Marco Legal dos Criptoativos (Lei 14.478/2022), regulamentado pelo Decreto 11.563/2023, que atribuiu ao Banco Central a competência para regular as prestadoras de serviços de ativos virtuais, sem prejuízo das competências da CVM sobre valores mobiliários.
Em paralelo, a IN RFB 1.888/2019 (e sua atualização em curso via DeCripto) mantém a obrigação de reportar operações com criptoativos à Receita Federal até o último dia útil do mês seguinte ao das operações, atenção redobrada para quem opera em exchanges estrangeiras ou faz P2P.
Esses marcos importam porque ETFs e derivativos listados na B3 convivem com a agenda do Bacen e com as obrigações fiscais federais, e o cumprimento correto reduz risco jurídico para o investidor pessoa física e para instituições.



