Como as criptomoedas estão transformando a vida dos brasileiros em 2025

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A criptoeconomia já é uma parte do cotidiano nacional. O Brasil permanece no Top-10 global de adoção, 10ª colocação no Global Crypto Adoption Index 2024 da Chainalysis, e contabiliza cerca de 25 milhões de pessoas que já compraram ou mantêm criptoativos, o equivalente a 16% da população adulta. Enquanto isso, o Banco Central conduz o Piloto Drex.

A segunda fase de testes se estende até o fim do 1º semestre de 2025, preparando contratos inteligentes para o futuro real digital. Ato contínuo, o sistema de pagamentos instantâneos Pix bateu 276,7 milhões de transações num único dia em junho de 2025, recorde que reforça a vocação digital do mercado. Esse pano de fundo explica por que criptomoedas já influenciam pagamentos, salários e até políticas públicas.

Criptomoedas no dia a dia do brasileiro em 2025

A passagem de 2024 para 2025 trouxe um avanço silencioso, mas importante. Cerca de 90% do volume de cripto negociado no país hoje está concentrado em stablecoins, segundo o diretor do Banco Central Gabriel Galípolo, que vê o fenômeno ligado ao uso cotidiano de pagamentos e remessas.

Analistas apontam que, para quem utiliza day-to-day stablecoins, projetos capazes de captar essa demanda, como redes de segunda camada e tokens de ativos do mundo real, despontam como criptomoedas promissoras para 2025. O interesse é corroborado por relatórios do setor.

O brasileiro paga o café com stablecoin, recebe cashback em bitcoin e, no minuto seguinte, converte tudo em reais usando Pix. Bancos digitais e fintechs integraram carteiras multimoeda aos seus apps. A PicPay, por exemplo, retomou em julho a oferta de cripto depois de avanços regulatórios, permitindo converter saldos em segundos.

A facilidade é potencializada pela infraestrutura do Pix, descrita pelo próprio Banco Central como o novo alicerce do sistema de pagamentos. Com spreads abaixo de 1% e liquidação em tempo real, stablecoins em dólar tornaram-se alternativa às tradicionais remessas via Swift.

Famílias que enviam ajuda para parentes no exterior preferem USDT ou USDC e, ao chegar ao Brasil, realizam a troca no mesmo instante em exch­anges que já operam sob as novas normas da CVM. O processo oferece hedge contra a volatilidade do real num cenário em que o IPCA acumulado em 12 meses voltou a ultrapassar 5%.

Start-ups de tecnologia e criadores de conteúdo passaram a solicitar parte do salário em cripto, seja como forma de investimento automático, seja para se protegerem de oscilações cambiais. O BTG Pactual, por exemplo, afirmou na Febraban Tech que a indústria financeira será totalmente tokenizada, e a Moody’s calcula em 5,7 bilhões de dólares o mercado global de fundos tokenizados.

Montante que começa a refletir-se em plataformas nacionais que remuneram clientes em tokens lastreados em DI. Essas transformações encontram respaldo institucional. O Banco Central reforça que o DREX pretende integrar contratos inteligentes ao Open Finance, permitindo, por exemplo, pagamentos automáticos de tributos e registro instantâneo de garantia em crédito imobiliário.

Regulação, investimento e o próximo salto tecnológico

A arquitetura regulatória brasileira amadureceu visivelmente em 2025. A Lei 14.478/22, o “Marco das Criptomoedas”, ganhou musculatura com resoluções complementares da CVM e com o Ofício-Circular CVM/SIN 04/25, que esclareceu como os ETFs de cripto e os BDRs-ETF devem reportar risco, liquidez e custódia, reforçando a proteção ao investidor minoritário.

Em junho, o governo editou a Medida Provisória 1.303/2025, criando declaração automática de ganhos com ativos virtuais no e-Social Financeiro e definindo alíquota máxima de 17,5% sobre lucros líquidos superiores a R$ 35 mil por mês. O texto também facultou o uso de prejuízos em derivativos de bitcoin para compensar impostos em renda variável tradicional.

A supervisão do Banco Central avançou na mesma direção. Em vídeo institucional, Roberto Campos Neto reiterou que regras específicas para stablecoins e para a tokenização de ativos serão publicadas até dezembro, a fim de mitigar riscos de lavagem de dinheiro e encorajar a interoperabilidade com o Drex.

Esse arcabouço atraiu capital para produtos listados. Apenas em maio de 2025 o volume de contratos futuros de bitcoin disparou 667%, alcançando R$ 26,1 bilhões por dia, e impulsionou a B3 a manter o ativo entre os mais negociados do ano. Em doze meses, são mais de 41 milhões de contratos e R$ 2 trilhões em volume financeiro, dados que rivalizam com blue-chips tradicionais.

Os ETFs cripto também ganharam tração. O QSOL11, primeiro ETF de Solana listado no mundo, e o GBTC11, que combina bitcoin e ouro, lideraram captação no 1º semestre; o HASH11 voltou a figurar entre os cinco ETFs mais negociados da bolsa nos dias de pico do bitcoin.

Além disso, a B3 reforçou sua agenda de tokenização de ativos reais. O volume tokenizado saltou para R$ 1,3 bilhão em 2024 e segue em crescimento neste ano, amparado por sandbox regulatórios da CVM e do Banco Central. A segunda fase do piloto Drex, que testa contratos inteligentes para garantir liquidação atômica de hipotecas e tributos, prepara o terreno para integrar o Open Finance 2.0.