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Empresária ligada a Lulinha depõe à Polícia Federal sobre fraudes no INSS
A empresária Roberta Luchsinger, figura próxima a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi ouvida pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 20. O depoimento integra as diligências da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios bilionários envolvendo descontos associativos aplicados indevidamente em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante a oitiva, Roberta negou qualquer repasse financeiro a Lulinha. A empresária sustentou que sua colaboração com o empresário Antônio Camilo Antunes, identificado nas investigações como Careca do INSS, restringiu-se estritamente ao setor de canabidiol.
A PF busca esclarecer se Roberta teria funcionado como um elo para transferências de recursos destinados ao filho do presidente. O Careca do INSS, apontado como um dos principais articuladores das fraudes contra aposentados e pensionistas, está sob custódia desde setembro de 2025.
Embora tenha confirmado a proximidade social com Lulinha e seus familiares, a depoente reiterou que o filho do presidente jamais foi beneficiário de valores provenientes das atividades de Antunes. Segundo o relato, a apresentação entre ambos ocorreu em um ambiente social. Sobre uma viagem a Portugal realizada por Lulinha e Antunes, Roberta afirmou que o objetivo do encontro era discutir oportunidades de investimento no mercado de cannabis medicinal. Conforme a empresária, o interesse de Lulinha no tema seria motivado pelo uso de medicamentos à base de canabidiol por membros de sua família.
Defesa aponta campanha difamatória
Por meio de nota assinada pelos advogados Bruno Salles Pereira Ribeiro e Marco Antonio Chies Martins, a defesa de Roberta Luchsinger informou que a empresária respondeu a todos os questionamentos dos investigadores durante cerca de 50 minutos.
Os advogados argumentam que o trabalho prestado a Antônio Camilo Antunes consistiu em consultoria formal sobre a regulamentação do mercado de canabidiol no país, com a devida remuneração. A defesa ressaltou que, à época em que iniciou o contato com o empresário, não pesavam contra ele suspeitas ou investigações públicas. Além disso, a nota enfatiza que o vínculo profissional foi rompido imediatamente após a deflagração da Operação Sem Desconto.
Os defensores classificaram o tratamento dado ao caso por parte da opinião pública e de setores políticos como uma campanha difamatória, alegando que a amizade entre a empresária e Lulinha tem sido explorada com objetivos políticos.
O caso também teve desdobramentos no Judiciário e no Legislativo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS chegou a determinar a quebra do sigilo fiscal de Roberta, porém, a medida foi suspensa em março deste ano pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de falta de fundamentação concreta.
Atualmente, a apuração da Polícia Federal ganha novo fôlego com o prosseguimento da delação premiada de Maurício Camisotti, apontado como um dos operadores financeiros do esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários.
Com informações da Revista Oeste


