André Esteves afirma que próximo presidente herdará economia arrumadinha e pede ajuste

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André Esteves projeta cenário econômico favorável para próximo governo e defende ajuste fiscal

O presidente do BTG Pactual, André Esteves, avaliou neste sábado, 23, que o Brasil caminha para uma transição governamental em um ambiente econômico positivo. Durante sua participação no Fórum Esfera, evento que contou também com a presença de Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o executivo afirmou que o próximo chefe do Executivo assumirá um país “arrumadinho” e com desafios de fácil resolução.

Para Esteves, o cenário atual é substancialmente mais controlado do que o enfrentado nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e de Lula, em 2002. O banqueiro destacou que, naqueles períodos, o país lidava com crises profundas, como inflação descontrolada, taxas de desemprego elevadas, escassez de reservas internacionais e instabilidade no sistema financeiro. Atualmente, segundo ele, o foco deve ser apenas a implementação de medidas pontuais para conter a expansão das despesas públicas.

O executivo ressaltou que a estratégia não envolve o fim de programas sociais ou cortes drásticos. O objetivo, segundo sua análise, é adotar três ou quatro ações simples de contenção de gastos, o que teria o efeito direto de reduzir os juros no Brasil. Apesar do otimismo com a economia, Esteves manifestou preocupação com questões estruturais, citando o avanço do crime organizado, das milícias e da crescente informalidade como desafios que o Estado não pode negligenciar.

Esclarecimentos sobre o Banco Master

Durante o painel, André Esteves aproveitou para abordar o caso envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. O BTG Pactual, que atuou como um dos canais de distribuição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco, tem sido alvo de questionamentos e litígios judiciais após o surgimento de dificuldades financeiras na instituição.

Esteves refutou qualquer irregularidade por parte do BTG Pactual na oferta desses produtos financeiros. O banqueiro pontuou que a instituição agiu preventivamente assim que identificou sinais de risco, posicionando-se de forma a proteger os interesses envolvidos quando percebeu que a situação no Banco Master poderia sair do controle.

No mesmo debate, Aloizio Mercadante teceu críticas à gestão anterior do Banco Central no que diz respeito à supervisão do caso Master. O presidente do BNDES defendeu uma reformulação na estrutura dos órgãos de fiscalização do mercado financeiro, incluindo o próprio Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), argumentando que o fortalecimento institucional dessas entidades é indispensável para garantir a segurança do sistema financeiro diante dos desafios que o país terá pela frente.