Anúncios pagos sobre o STF disparam nas redes e dominam o debate eleitoral

Imagem ilustrativa: Pexels / Rebrand Cities.

Cresce o volume de anúncios pagos sobre o STF nas redes sociais em meio ao debate eleitoral

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o epicentro de uma intensa estratégia de marketing político nas plataformas digitais. Dados da Meta indicam uma escalada expressiva no número de campanhas pagas que mencionam a Corte. Entre janeiro e abril deste ano, foram contabilizadas cerca de 4,9 mil peças publicitárias sobre o tema, um volume mais de 50 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2020.

A antecipação do clima eleitoral para 2026 tem levado políticos e pré-candidatos ao Senado a utilizar o tribunal como pilar central de suas comunicações. O objetivo é mobilizar o eleitorado, propor alterações na dinâmica de poder ou direcionar críticas nominais a integrantes da Corte, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Temas sensíveis, a exemplo da rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, também figuram como mote dessas campanhas.

Senadores e pré-candidatos elevam o tom contra o Supremo

O engajamento digital reflete posições divergentes dentro do Legislativo. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) utilizou anúncios em março de 2026 para defender a limitação das competências do tribunal. Em manifestações anteriores, feitas em 2025, o parlamentar pontuou que o STF estaria atento à possibilidade de uma composição do Senado alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro após o pleito de 2026.

Outros legisladores também recorreram ao impulsionamento de conteúdos para marcar posição. Zequinha Marinho (Podemos-PA) celebrou o bloqueio à indicação de Jorge Messias, argumentando que o episódio demonstrou a autoridade do Senado Federal na escolha dos ministros. Na mesma linha, Vanderlan Cardoso (PSD-GO) tem utilizado o espaço das redes para veicular seus posicionamentos institucionais sobre a Corte.

Entre os pré-candidatos ao Senado, o discurso ganha contornos de urgência. Gustavo Gayer (PL-GO), em declaração de janeiro de 2026, sustentou que a formação de uma maioria conservadora na Casa seria a única via para promover mudanças, reforçando que cabe exclusivamente ao Senado a prerrogativa de processar pedidos de impeachment de ministros do STF. Nomes como Carlos Jordy (PL-RJ) e Kim Kataguiri (União-SP) também integram o grupo que investe em vídeos críticos à atuação dos magistrados.

Debate sobre código de conduta para ministros ganha tração digital

Além da atuação direta de parlamentares, o ecossistema digital tem sido ocupado por perfis e páginas que promovem o debate em torno de um código de conduta para os ministros do Supremo. A proposta, que já foi defendida publicamente pelo atual presidente da Corte, Edson Fachin, ganhou força nas redes como uma pauta de interesse público.

As campanhas em prol dessa medida argumentam que a formalização de regras de comportamento seria um passo necessário para o tribunal. O tema permanece em alta, consolidando o STF como um dos assuntos de maior relevância e investimento financeiro no cenário da propaganda política digital brasileira.

Com informações da Revista Oeste