Libra Planeja Renegociar Contratos de TV com a Globo, Afirma Presidente do Flamengo
Luiz Eduardo Baptista Defende Valorização do Produto Futebol e Crítica à Distribuição Atual de Receitas
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, discute a possibilidade de uma liga unificada no futebol brasileiro.
Rio de Janeiro, RJ – Em sua participação no São Paulo Innovation Week, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, destacou a importância da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a consolidação de uma liga unificada. Baptista também declarou que a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) pretende renegociar os acordos de direitos de transmissão atualmente vigentes com a Rede Globo.
“A CBF pode atuar como parceira, oferecendo suporte para a liga. Contudo, é essencial aprimorar a apresentação do produto para maximizar seu valor de mercado, potencialmente duplicando ou triplicando sua receita. A atual abordagem dos clubes dificulta esse avanço”, analisou Bap, ressaltando que a federação já contribui financeiramente com os clubes e é um ator relevante na dinâmica econômica do futebol nacional.
Libra e a Revisão de Contratos
O dirigente do clube carioca confirmou que a Libra buscará a renegociação de todos os contratos de direitos de transmissão com a emissora carioca.
“Tenho defendido essa ideia há muito tempo. Acredito que a estrutura atual é um equívoco. Como é possível aceitar que a queda de um clube para a segunda divisão resulte em uma perda de 11% da receita, sem um ganho proporcional ao acesso de outro? Contratos existem para serem reavaliados e renegociados. Estamos prontos para essas discussões”, declarou Bap.
O presidente do Flamengo utilizou o fantasy game ‘Cartola’ como exemplo de exploração de marca onde os clubes poderiam obter maior retorno financeiro.
“A Globo não remunera os clubes pelo ‘Cartola’. Por quê? Existe uma negociação em andamento para 2030. Se a relação não for equilibrada… O combinado deve ser cumprido. Certamente, nesta nova fase da Libra, o Flamengo contribuirá com sua expertise para rediscutir o contrato com a Globo.”
Direitos de Transmissão e Acordos Judiciais
Bap também comentou o acordo firmado com outros clubes da Libra, que resultou no recebimento de R$ 150 milhões pelo Flamengo, referentes a direitos de transmissão após uma disputa judicial. Ele reiterou a posição do clube de que deveria receber um valor maior, fundamentando seu argumento em dados de audiência em TV por assinatura.
“Estatutariamente, era necessária unanimidade para uma decisão relevante. Jamais concederia meu aval se o peso do cadastro de torcedores no pay-per-view não fosse reconhecido. Talvez houvesse a expectativa de que desistiríamos pelo cansaço. Acredito que alguns clubes só analisaram o contrato a fundo quando entramos na Justiça. A juíza determinou o cumprimento do que estava escrito”, explicou.
“O acordo foi rápido e estabelecido em um patamar inferior, pois o Flamengo visa a construção de uma liga unificada. Eles receberam R$ 250 milhões, e eu recuperei R$ 150 milhões”, completou.
Relações Interclubes
Ao abordar a saída do Palmeiras da Libra após o acordo que beneficiou o Flamengo, Bap negou qualquer conflito com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. No entanto, ele ressaltou que o clube paulista não terá direito a reajustes caso um novo contrato mais vantajoso com a Globo seja firmado.
“Não tenho qualquer problema com a Leila. É impensável cogitar a criação de uma liga sem a participação do Flamengo ou do Palmeiras. Fora de campo, os clubes deveriam manter uma relação de amizade. Se alguém acreditar que uma atitude de birra resultará em um tratamento diferenciado, boa sorte… Os clubes permanecem, os dirigentes são transitórios”, concluiu.
Hegemonia e Inovação no Futebol
Abordando o tema central do painel, Bap compartilhou a ambição do Flamengo em alcançar a hegemonia no futebol brasileiro. O clube registrou um faturamento recorde de R$ 2 bilhões em 2025, ano em que conquistou a Libertadores, o Brasileirão, o Campeonato Carioca e a Supercopa Rei, além de ter sido vice-campeão da Copa Intercontinental e participado do Mundial de Clubes da FIFA.
“Penso na hegemonia desde sempre. É impossível controlar todas as variáveis. Mesmo sem atingir o objetivo máximo, é importante manter uma posição de destaque”, afirmou o dirigente, que defendeu uma visão mais abrangente para o futebol nacional, argumentando pela necessidade de os clubes expandirem suas receitas e transformarem o Brasileirão em uma vitrine global.
“Se considerarmos a paixão do brasileiro e o impacto econômico do futebol nacional, os números são modestos. Nós, como apaixonados pelo esporte, deveríamos nos empenhar para que o Brasil se torne uma das três maiores ligas do mundo. Quando o cenário melhora, todos se beneficiam”, ponderou.
O São Paulo Innovation Week, considerado o maior festival global de tecnologia e inovação, é organizado pelo Estadão em colaboração com a Base Eventos. O evento ocorre no Pacaembu e na Faap até sexta-feira, 15. Entre os mais de 2.000 palestrantes confirmados para os três dias de atividades, estão especialistas nacionais e internacionais em diversas áreas, como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.
Com Informações do Futebol Interior
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