Como proteger seu celular contra ataques de spyware com recursos da Apple


A vigilância digital contra jornalistas: como se proteger contra spywares de elite

A espionagem digital contra jornalistas, ativistas de direitos humanos e vozes dissidentes deixou de ser uma ameaça remota para se tornar uma rotina preocupante. No início de 2025, o WhatsApp emitiu alertas para cerca de 90 usuários, incluindo profissionais da imprensa e membros da sociedade civil na Europa, sobre uma campanha de invasão orquestrada pela empresa israelense Paragon Solutions. Pouco tempo depois, a Apple invejou notificações semelhantes. Investigações forenses confirmaram que pelo menos dois jornalistas foram vítimas do spyware Graphite, da Paragon, utilizando ataques de “zero-click” — uma técnica que dispensa qualquer interação do usuário para comprometer o aparelho.

Esses episódios não são casos isolados, mas fazem parte de um cenário consolidado. Nas últimas décadas e meia, pesquisadores de cibersegurança documentaram inúmeras investidas governamentais contra críticos e opositores, utilizando ferramentas de alto custo e extrema sofisticação. O objetivo principal são os smartphones, dispositivos que concentram a vida privada e profissional de cada indivíduo.

O poder invasivo do spyware

Uma vez instalado, o software espião confere aos operadores acesso quase irrestrito ao dispositivo. Isso permite que agentes governamentais gravem chamadas telefônicas, interceptem mensagens, acessem galerias de fotos e controlem remotamente o microfone e a câmera para captar conversas em tempo real. Além disso, a localização geográfica do alvo pode ser monitorada continuamente.

Diante desse cenário, gigantes da tecnologia como Apple, Google e Meta desenvolveram defesas específicas. Embora esses recursos de segurança possam limitar certas funcionalidades dos aparelhos, os especialistas defendem que o sacrifício é mínimo antes do nível de proteção oferecido. A recomendação é clara: se você atua em áreas de risco ou suspeita de vigilância, ativar essas proteções é uma medida essencial.

Esses recursos são gratuitos, simples de ativar e a melhor defesa que temos hoje contra spyware sofisticado. Se as ferramentas atrapalharem algo que você precisa fazer, você pode facilmente desativá-las, o que significa que custa muito pouco testá-las, afirma Runa Sandvik, pesquisadora de segurança especializada em proteção de comunidades vulneráveis.

Embora a corrida armamentista digital seja um ciclo contínuo — onde criadores de software e desenvolvedores de spyware buscam constantemente superar as defesas uns dos outros —, essas camadas extras de segurança provaram ser eficazes e valiosas.

Modo de Bloqueio da Apple

O Modo de Bloqueio é uma solução da Apple para proteger dispositivos contra ataques direcionados. O Citizen Lab já comprovou que uma ferramenta foi capaz de barrar testes de infecção pelo spyware Pegasus, do NSO Group. Até março de 2026, a Apple informou que nunca houve um caso documentado de invasão bem-sucedida em um dispositivo com esse modo ativo.

Ao ativar a função, o sistema impõe restrições severas:

  • Bloqueio de anexos no iMessage, exceto imagens, vídeos e áudios básicos.
  • Links e pré-visualizações de sites no iMessage são desativados.
  • Navegação no Safari restrita, bloqueando certas tecnologias da web e fontes.
  • Chamadas FaceTime recusadas se o contato não for conhecido.
  • Desativação de recursos como SharePlay, Live Photos e álbuns compartilhados.
  • Conexões com acessórios ou computadores desabilitam o desbloqueio do aparelho.
  • Proibição de redes 2G/3G e redes Wi-Fi públicas inseguras.

Para habilitar, basta acessar Ajustes, entrar em Privacidade e Segurança e selecionar Modo de Bloqueio. O dispositivo será reiniciado para aplicar as configurações.

Programa de Proteção Avançada do Google

Programa de Proteção Avançada do Google

Lançado em 2017, o Programa de Proteção Avançada é voltado para fortalecer contas do Google contra invasões. As principais defesas incluem:

  • Restrição rigorosa de acesso a aplicativos de terceiros à conta.
  • Análise profunda de e-mails no Gmail para detectar tentativas de phishing.
  • Navegação Segura no Chrome, com alertas ativos para sites ou downloads perigosos.
  • Bloqueio de instalação de aplicativos no Android que não visitam lojas oficiais.

Guia de Segurança Digital: Como Proteger suas Contas no Google, Android e WhatsApp

A segurança digital tornou-se uma prioridade essencial, especialmente para usuários que lidam com informações sensíveis. Gigantes da tecnologia aprimoraram suas defesas para combater esforços de acesso não autorizado e espionagem direcionada. Abaixo, detalhamos como configurar as camadas extras de proteção oferecidas pelo Google e pelo WhatsApp.

Programa de Proteção Avançada do Google

O Google oferece o Programa de Proteção Avançada para usuários que desejam um nível superior de segurança. Quando ativado, o sistema implementa verificações rigorosas sempre que detecta uma tentativa de login suspeita, garantindo que apenas o proprietário da conta consiga acessá-la.

Para configurar essa camada extra de proteção, acesse a página oficial do serviço e selecione a opção Começar. O processo exige que você realize o login e siga as orientações na tela, que incluem:

  • Adição de uma chave de segurança física ou senha de software como fator de autenticação adicional.
  • Cadastro de um e-mail e telefone de recuperação.
  • Configuração de uma chave de segurança ou senha de backup.

Interface de proteção avançada no Android

Modo de Proteção Avançada para Android

Lançado no ano passado e inspirado em mecanismos de bloqueio semelhantes aos da Apple, o Modo de Proteção Avançada do Android estende defesas robustas para o sistema operacional móvel.

Para ativar essa funcionalidade em seu smartphone, navegue até Configurações, selecione Segurança e Privacidade, acesse Outras Configurações, toque em Proteção Avançada e, por fim, em Proteção do Dispositivo.

Configurações de conta restrita no WhatsApp

Com uma base de mais de 3 bilhões de usuários, o WhatsApp tornou-se um alvo recorrente de agentes mal-intencionados. A demanda por ferramentas de invasão é tão elevada que explorações podem custar milhões de dólares. O histórico de ameaças é real: em 2019, o Grupo NSO foi detectado em uma campanha contra 1.200 usuários, e no início do ano passado, uma nova operação de espionagem atingiu cerca de 90 pessoas na Europa.

Para mitigar esses riscos, o mensageiro lançou as Configurações de Conta Restritas. Este recurso opcional, disponível tanto para Android quanto para iOS, aplica controles rígidos de privacidade:

Configurações de privacidade no WhatsApp

  • Ativação obrigatória da verificação em duas etapas.
  • Alertas de segurança em caso de troca de aparelho ou tentativa de invasão.
  • Bloqueio automático de fotos e vídeos enviados por números desconhecidos.
  • Desativação de links prévios.
  • Silenciamento automático de chamadas de números não salvos.
  • Ocultação do endereço IP durante ligações.
  • Restrição de dados de perfil (foto, status e visto por último) apenas para contatos salvos ou grupos autorizados.
  • Limitação de quem pode adicionar você em grupos.

Para habilitar, utilize seu dispositivo principal, vá em Configurações, acesse Privacidade, entre em Avançado e ative a opção de Restrição.

Com informações do Techcrunch