O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre os bastidores da produção do filme Dark Horse. O parlamentar classificou as recentes reportagens publicadas pelo portal Intercept Brasil como uma forma de retaliação comercial e não como um exercício jornalístico. Em sua declaração, o congressista afirmou que o conteúdo não se trata de uma denúncia, mas sim de uma vingança.
Disputa por contrato milionário em São Paulo
A reação do senador ocorre após a revelação de uma conexão entre o jornalista Paulo Motoryn, editor do Intercept, e uma disputa envolvendo um contrato de internet na capital paulista. O profissional é parente de Mauro Motoryn, diretor de desenvolvimento da Surf Telecom. A empresa perdeu espaço no programa municipal WiFi Livre SP para o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada aos produtores do documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O conflito teve início antes das publicações do portal. O Instituto Conhecer Brasil assumiu a expansão do WiFi Livre SP em 2024, após a Surf Telecom enfrentar obstáculos burocráticos junto ao Tribunal de Contas do Município (TCM). O projeto, avaliado em R$ 69,2 milhões, previa a instalação de pontos de acesso à internet em diversas comunidades carentes da cidade.
Representantes do setor indicam que a Surf Telecom teria iniciado um processo de lobby para reverter a perda do contrato com a prefeitura de São Paulo. Em inquérito, a defesa do Instituto Conhecer Brasil alega que a operadora tentou descontinuar o serviço mediante pressões comerciais. A denúncia registrada na Polícia Civil pela presidente da entidade, Karina Ferreira da Gama, aponta que a empresa Ultra IP teria interrompido o sinal em 800 pontos de internet, além de relatar uma suposta tentativa de extorsão no valor de R$ 2,5 milhões, sob ameaça de exposição negativa na mídia.
Conexões políticas e o papel do Intercept
A atuação do Intercept no caso é vista por Flávio Bolsonaro como parte de uma agenda ideológica. O senador destacou o histórico de Mauro Motoryn, que possui trajetória nos bastidores de Brasília. O executivo da Surf Telecom teve proximidade com figuras centrais do escândalo do Mensalão, como Delúbio Soares e Henrique Pizzolato, durante o primeiro mandato do presidente Lula, e também exerceu cargos de confiança na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.
Em entrevistas concedidas a veículos alinhados à esquerda, como o Brasil 247, Mauro Motoryn manifesta apoio político ao atual governo. Para Flávio Bolsonaro, a linha editorial do Intercept está alinhada a esses interesses. Segundo o senador, o veículo teria tido papel fundamental em episódios como o fim da Operação Lava Jato e a soltura de Lula, e agora estaria empenhado em sustentar o atual projeto político do presidente.
Com informações da Revista Oeste



