
Decisão judicial na Índia desafia modelo de publicidade por palavras-chave do Google
Uma recente sentença do Tribunal Superior de Delhi colocou em execução uma estratégia de publicidade do Google, gerando um intenso debate sobre o uso de marcas registradas como palavras-chave. A decisão, publicada em 22 de maio, condenou a gigante da tecnologia por violação de marca registrada em um processo movido pelo fabricante de acessórios para banheiro Hindware.
O veredito contra o gigante das buscas
Na sentença de 163 páginas, a juíza Mini Pushkarna rejeitou a tese de defesa do Google, que se posicionou como um mero intermediário passivo na exibição de anúncios. O tribunal entendeu que, ao permitir que os concorrentes utilizassem o termo “Hindware” para atrair usuários que buscavam especificamente pela marca, a plataforma facilitava a infração.
A juíza fundamentou que a comercialização de marcas registradas como palavras-chave sem autorização viola o direito de uso exclusivo garantido pela Seção 28 da Lei de Marcas. Como resultado, o Google foi condenado a pagar ₹3 milhões, valor equivalente a cerca de US$ 31.600, em danos nominais.
Revolta de empreendedores indianos
A decisão ganhou força após figuras de destaque no ecossistema de startups da Índia manifestarem apoio ao veredito. Nomes como Nithin Kamath, fundador da Zerodha, e Sridhar Vembu, da Zoho, criticaram publicamente a prática do Google.
Sempre que alguém pesquisa por Zerodha, o tráfego deveria, por direito, vir para Zerodha. Mas o que acontece frequentemente é que os primeiros resultados na Busca do Google são anúncios, levando o cliente ao site de um concorrente, afirmou Kamath em suas redes sociais.
Para esses empreendedores, a ferramenta de anúncios do Google é utilizada há anos por rivais para desviar o tráfego de marcas condicionais, obrigando as empresas a investir recursos para proteger seus próprios nomes nos resultados de busca.
Posicionamento do Google e análise jurídica
Em nota oficial, o Google declarou que suas políticas globais de publicidade proíbem que os anunciantes utilizem termos protegidos por marca registrada diretamente no texto dos anúncios. A empresa reforçou que pretende adequar suas operações às exigências legais locais, mantendo o foco na proteção dos interesses dos usuários.
Apesar da repercussão, especialistas apontam que o impacto prático da decisão pode ser mais contido do que se imagina. Aprajita Rana, sócia da AZB & Partners, destaca que o foco da sentença está na forma como as plataformas de interação com termos protegidos:
- A decisão obriga as plataformas a reavaliarem suas ferramentas automatizadas incentivando o uso indevido de marcas.
- O tribunal reforçou que as empresas de internet perdem proteções legais ao participarem ativamente de atividades ilegais.
- O ponto central é a curada de anúncios que ocorre nos bastidores entre a plataforma e o anunciante, que pode ser interpretada como uma conduta participativa.
Considerando que a Índia possui uma das maiores populações de usuários de internet do mundo, qualquer mudança nas regras de publicidade do Google no país possui um peso estratégico significativo para o modelo de negócios da companhia.
Com informações do Techcrunch


