Galípolo enfrenta pressão no Senado para prestar esclarecimentos sobre o Banco Master

Gabriel Galípolo presta esclarecimentos no Senado sobre crise do Banco Master

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, tem agenda marcada nesta terça-feira, 19, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O foco central do encontro é a atuação da autoridade monetária diante das irregularidades envolvendo o Banco Master.

A presença de Galípolo no colegiado estava originalmente prevista para o dia 5 de maio, conforme informou o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Contudo, o compromisso foi reagendado para esta semana após o dirigente do BC apresentar um mal-estar na data anterior.

Além da apresentação obrigatória do relatório semestral sobre o desempenho da política monetária, a sessão servirá como palco para questionamentos incisivos dos parlamentares sobre o caso Master. Renan Calheiros reforçou que a presença do presidente do BC é fundamental, dado que persistem dúvidas sobre a conduta da instituição durante o desenrolar da crise.

Questionamentos sobre a fiscalização do Banco Central

O senador alagoano criticou a postura do órgão regulador, apontando que o Banco Central emitiu 23 avisos de irregularidades ao Banco Master ao longo dos anos, mas evitou medidas efetivas até a intervenção realizada em dezembro de 2025.

Outro ponto de tensão levantado por Calheiros envolve a relação entre a atual gestão e a anterior. O parlamentar argumenta que Galípolo teria adotado uma postura de leniência em relação a Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, que enfrenta acusações de irregularidades cometidas no período em que atuou como diretor do Banco Santander.

Renan ainda denunciou a ausência de documentos cruciais que deveriam ter sido enviados à CAE. A comissão, que instituiu um grupo de trabalho em fevereiro sob a liderança de Renan, segue investigando supostas fraudes bilionárias ligadas à instituição financeira.

Defesa de Roberto Campos Neto

Apesar das pressões políticas, Gabriel Galípolo já manifestou publicamente sua posição sobre o antecessor. Em depoimento prestado no dia 8 de abril à CPI do Crime Organizado, ele afirmou que não existem evidências de envolvimento de Roberto Campos Neto no escândalo do Banco Master.

Segundo Galípolo, auditorias e sindicâncias internas não apontaram qualquer culpa ou participação direta do ex-presidente do BC nos fatos investigados. A insistência de parte da bancada petista em vincular Campos Neto ao caso ocorre pelo fato de a crise ter se iniciado durante sua gestão à frente da autarquia.

Imagem ilustrativa: Pexels / Werner Pfennig.

Com informações da Revista Oeste