Gilmar Mendes critica gestão de Fachin e acirra racha no STF

Crise no STF: Gilmar Mendes confronta gestão de Edson Fachin

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um momento de acentuada instabilidade interna após uma comunicação direta do ministro Gilmar Mendes ao presidente da Corte, Edson Fachin. Na última quinta-feira, 14, o decano do tribunal enviou uma mensagem ao colega criticando a forma como a presidência tem conduzido os trabalhos, sob a acusação de que processos de grande relevância estariam sendo paralisados sob a gestão atual.

A tensão ganhou contornos mais claros um dia após Fachin implementar normas mais rígidas para a distribuição de processos. Com a nova diretriz, qualquer petição vinculada a ações anteriormente arquivadas necessita, agora, de aval prévio da presidência e de setores técnicos do tribunal para prosseguir.

Contexto de divergências sobre sigilos e investigações

Nos corredores do STF, a mudança nas regras é vista por integrantes da Corte como um movimento estratégico em resposta a uma decisão monocrática de Gilmar Mendes proferida em fevereiro. Na ocasião, o ministro suspendeu a quebra de sigilos bancários, fiscais e telemáticos da empresa Maridt, que integra o quadro societário o ministro Dias Toffoli.

O caso, que tramitava no âmbito da CPI da Covid e estava sob relatoria de Gilmar, gerou questionamentos internos. Críticos da medida apontam que a decisão beneficiou Toffoli em um cenário que tangencia investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central ligada ao Banco Master, e que o despacho teria extrapolado o objeto original do processo.

Acusações de obstrução e o efeito filibuster

Em sua manifestação via WhatsApp, Gilmar Mendes elencou uma série de temas que tiveram seus julgamentos interrompidos no plenário virtual devido a pedidos de destaque formulados por Fachin. Entre os processos citados estão a revisão da vida toda, o Projeto Ferrogrão e ações que tratam da exploração mineral em terras indígenas.

Ao classificar a gestão de Fachin como marcada pela ausência de decisões, o decano comparou a postura do presidente à prática de filibuster, técnica utilizada no Senado dos Estados Unidos para retardar votações através de manobras regimentais. Para Gilmar, o volume de pautas estratégicas retidas pela presidência configura uma obstrução política.

Pressão por reação institucional

A crise de relacionamento entre os magistrados é agravada por exigências de parte do colegiado por uma postura mais incisiva da presidência em defesa de ministros mencionados em investigações sobre conexões com Daniel Vorcaro. Conforme informações da CNN Brasil, uma reunião fechada foi articulada por Gilmar e contou com a participação de ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, com o objetivo de cobrar uma resposta institucional de Fachin.

Contudo, o presidente do STF mantém uma postura de autocontenção, defendendo que o tribunal deve priorizar a reflexão interna. Esse comportamento tem gerado insatisfação entre os pares, que interpretam os posicionamentos de Fachin como recados velados direcionados aos demais integrantes da Corte.

Imagem ilustrativa: Pexels / Vitaly Gariev.

Com informações da Revista Oeste