Jeff Bezos defende isenção de imposto de renda para metade da população americana

Jeff Bezos defende isenção de imposto de renda para metade da população americana

Jeff Bezos defende isenção de imposto de renda para metade da população americana

Em uma entrevista concedida na manhã de quarta-feira, 20 de maio de 2026, à CNBC, o bilionário Jeff Bezos propôs uma mudança radical no sistema fiscal dos Estados Unidos: a eliminação do imposto de renda federal para os trabalhadores que compõem a metade inferior da faixa de renda do país.

Para ilustrar seu ponto, o fundador da Amazon utilizou o exemplo de uma enfermeira residente no Queens, com rendimento anual de US$ 75 mil. Segundo Bezos, é inaceitável que esse profissional destine mais de US$ 1 milhão mensais ao governo federal. Ele argumenta que esse valor, que representa cerca de 16% do salário do trabalhador, seria essencial para cobrir despesas básicas como aluguel e alimentação. O empresário chegou a declarar que o governo deveria pedir desculpas a esses cidadãos, em vez de exigir o envio de parte de seus ganhos para Washington.

O contraste entre a classe média e os ultrarricos

A defesa de Bezos chama a atenção pelo histórico de sua própria fortuna. Investigações da ProPublica revelaram que, entre 2006 e 2018, o patrimônio do bilionário cresceu US$ 127 bilhões, embora ele tenha declarado apenas US$ 6,5 bilhões em renda. Em anos como 2007 e 2011, o executivo não pagou imposto de renda. Embora tenha desembolsado US$ 1,4 bilhão em tributos no período, a alíquota efetiva sobre o crescimento de sua riqueza foi de apenas 1%.

Essa disparidade é possível devido à estrutura legal do sistema americano, que não tributa ganhos de capital não realizada. Bilionários frequentemente evitam a venda de ações para não gerar o fato gerador do imposto, utilizando os papéis como garantia para empréstimos vultosos, que não são considerados renda para fins tributários.

Debate sobre gastos versus receita

Durante uma conversa com o jornalista Andrew Ross Sorkin, Bezos foi questionado sobre a desigualdade nas alíquotas pagas pelos super-ricos em comparação com a classe média — um ponto frequentemente levantado pela senadora Elizabeth Warren. Em resposta, o empresário sustentou que os Estados Unidos enfrentam um desafio de gestão de gastos, e não de falta de arrecadação.

  • O 1% mais rico contribui com 40% da receita tributária total do país.
  • Uma metade inferior da população responde por apenas 3% da arrecadação.
  • Bezos afirma que dobrar a carga tributária sobre os bilionários não resultaria em benefícios práticos para a classe trabalhadora.

O bilionário reforçou sua posição ao declarar que, mesmo que seus impostos fossem majorados, isso não alteraria a realidade da enfermeira no Queens. Segundo ele, o sistema tributário americano já é o mais progressivo do mundo, mas o dinheiro arrecadado acaba perdendo a ineficiência da burocracia administrativa.

Perspectivas sobre o orçamento federal

Apesar dos argumentos de Bezos, o impacto potencial de uma arrecadação maior sobre as grandes fortunas permanece um tema controverso, especialmente diante de um orçamento federal de US$ 7,4 trilhões. Enquanto o empresário foca na ineficiência estatal, aponta que recursos adicionais poderiam ser direcionados para áreas fundamentais, como:

  • Melhoria na infraestrutura de transporte público;
  • Financiamento adequado para escolas públicas;
  • Redução dos custos elevados de assistência médica para a população.

Bezos reiterou que, para que um sistema tributário seja realmente progressivo, é necessário garantir que os recursos não sejam dissipados. Enquanto o debate sobre a responsabilidade fiscal dos bilionários continua, o abismo entre a realidade financeira dos ultrarricos e a dos trabalhadores comuns segue sendo o ponto central da discussão sobre justiça social e econômica nos Estados Unidos.

Com informações do Techcrunch