
Crédito da imagem: Ilustração
Crédito da imagem: Ilustração
Lindbergh Farias solicita ao STF inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro em inquérito sobre atuação no exterior
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta segunda-feira, 18, uma petição endereçada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com o objetivo de expandir o escopo das investigações que apuram as atividades do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar solicita que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também sejam incluídos como alvos do inquérito.
Na argumentação apresentada ao tribunal, Lindbergh aponta uma possível correlação entre as ações de Eduardo Bolsonaro no cenário internacional, as campanhas voltadas à imposição de sanções contra magistrados da Corte e o financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A solicitação baseia-se em informações divulgadas pelo site Intercept Brasil, que expôs um áudio no qual Flávio Bolsonaro aparece em negociações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, envolvendo um montante estimado em R$ 134 milhões destinados ao longa-metragem. O deputado do PT sustenta que é necessário verificar se esses recursos foram desviados, total ou parcialmente, para custear a ofensiva articulada por Eduardo Bolsonaro contra integrantes do Poder Judiciário brasileiro.
Diante das suspeitas levantadas, a petição requer medidas cautelares rigorosas contra o senador Flávio Bolsonaro, incluindo a apreensão de seu passaporte, a proibição de viagens internacionais e o bloqueio de bens. Além disso, o documento sugere o compartilhamento de provas oriundas de outras investigações que envolvem o Banco Master e a formalização de pedidos de cooperação internacional junto às autoridades norte-americanas.
Em sua justificativa, Lindbergh Farias questiona a real finalidade dos aportes financeiros ligados ao filme. O parlamentar ressalta que, caso recursos de origem duvidosa, possivelmente vinculados a fraudes bancárias ou interesses políticos, tenham sido utilizados para financiar propaganda audiovisual com viés eleitoral, podem ter ocorrido crimes como lavagem de dinheiro, caixa dois, abuso de poder econômico e fraude à fiscalização da Justiça Eleitoral.
Investigações paralelas sobre o filme Dark Horse
O movimento de Lindbergh Farias ocorre em um cenário de crescente atenção do Judiciário sobre a produção cinematográfica. Na última sexta-feira, 15, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma investigação preliminar, sob sigilo, para apurar o repasse de emendas parlamentares a entidades associadas à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
A decisão de Dino atende a uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que apontou o risco de utilização de verbas públicas de emendas para finalidades de marketing eleitoral e financiamento do longa-metragem.
Paralelamente, o pedido de Lindbergh surge logo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender a condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. Em suas alegações finais enviadas ao STF na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o ex-deputado teria manobrado para pressionar ministros do Supremo por meio da ameaça de sanções estrangeiras, visando interferir em processos judiciais que investigam a suposta tentativa de golpe de Estado.
Atualmente, a ação penal contra Eduardo Bolsonaro encontra-se na fase de alegações finais. Após a manifestação da PGR, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu um prazo de 15 dias para que a Defensoria Pública da União, que atua na defesa do ex-parlamentar, apresente seus argumentos finais antes que o processo seja levado a julgamento.
Com informações da Revista Oeste


