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Luciano Hang critica PEC que altera jornada de trabalho e alerta para impacto econômico
O empresário Luciano Hang, proprietário das Lojas Havan e conhecido apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, manifestou forte oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, extinguindo a escala 6×1. A Câmara dos Deputados aprovou o texto em dois turnos na quarta-feira, 27.
Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, o empresário ironizou a proposta e sugeriu que, se o objetivo é implementar mudanças drásticas, o Congresso deveria avançar para uma escala de quatro dias de trabalho por três de descanso, o modelo 4×3. Para Hang, essa medida revelaria rapidamente os efeitos negativos na economia nacional. O empresário declarou que, se o país precisa enfrentar uma desgraça para se ajustar, que ela seja instalada o mais rápido possível para evitar um sofrimento prolongado.
A Havan, sediada em Brusque, Santa Catarina, possui atualmente 191 lojas e um quadro de mais de 25 mil colaboradores. A rede tem inauguração prevista de sua 192ª unidade para este sábado, 30, em Taquara, Rio Grande do Sul. No exercício de 2025, a companhia registrou receita líquida de R$ 13,7 bilhões e lucro líquido de R$ 3,5 bilhões.
Previsão de inflação e custos operacionais
Hang argumenta que a redução da carga horária elevará os custos operacionais não apenas para a Havan, mas para todo o setor de comércio, indústria e serviços. Na avaliação do empresário, o aumento nos gastos será repassado ao consumidor final, com uma alta estimada entre 15% e 20% nos preços dos produtos, o que, segundo ele, resultará em perda do poder de compra dos trabalhadores devido à inflação.
O empresário também criticou legislações que, em sua visão, impõem entraves desnecessários à gestão de pessoal. Ele citou como exemplo restrições ao trabalho feminino aos domingos, afirmando que tais normas forçam as empresas a contratarem mais homens e classificou as medidas como leis burras.
Expansão internacional e posicionamento político
Diante do cenário econômico interno, Luciano Hang confirmou que realizará uma viagem ao Paraguai entre os dias 29 de junho e 1º de julho para avaliar oportunidades de expansão internacional da Havan. O empresário mencionou convites do presidente Santiago Peña e de seus ministros, destacando que o país vizinho tem atraído empresas brasileiras devido a incentivos fiscais e encargos trabalhistas reduzidos. Segundo Hang, mais de 250 companhias brasileiras já migraram suas operações para o Paraguai.
Sobre sua atuação política, Hang afirmou que pretende diminuir sua participação em campanhas eleitorais. Em 2024, o empresário foi condenado em uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho ao pagamento de R$ 85 milhões, sob acusação de coação de funcionários durante o processo eleitoral de 2018. O empresário declarou não ter mais o ímpeto de se envolver intensamente em campanhas como fez no passado.
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Caiado e Zema intensificam críticas ao governo Lula após decisão dos EUA sobre facções criminosas
Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), elevaram o tom das críticas contra a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O endurecimento do discurso político por parte dos dois pré-candidatos à Presidência da República ocorre na esteira de uma decisão recente do governo dos Estados Unidos envolvendo o combate a organizações criminosas que atuam no Brasil.
A reação dos chefes dos Executivos estaduais reflete um movimento de oposição que busca capitalizar politicamente sobre a política de segurança pública conduzida pelo governo federal. Tanto Zema quanto Caiado têm utilizado o episódio para questionar a eficácia e a postura das autoridades brasileiras frente ao avanço das facções, defendendo uma atuação mais rígida e alinhada com padrões internacionais de enfrentamento ao crime organizado.
A movimentação política ganha relevância no cenário nacional, uma vez que ambos os governadores consolidam seus nomes como alternativas da direita para o pleito de 2026. A estratégia de vincular o governo Lula a uma suposta fragilidade no combate à criminalidade tem sido um dos eixos centrais dos discursos de Zema e Caiado em eventos públicos e articulações partidárias.
Além das discussões sobre segurança pública, a agenda legislativa também tem sido palco de debates intensos. Recentemente, a Câmara dos Deputados avançou em pautas de interesse de setores específicos, incluindo a aprovação de uma proposta que concede isenção de impostos sobre compras realizadas por igrejas. O tema, que tramitou na Casa, destaca a influência de bancadas temáticas no Congresso e a busca por apoio de segmentos religiosos, um público estratégico para as forças políticas que compõem a oposição ao atual governo.
Os desdobramentos dessas decisões, tanto no âmbito das relações internacionais quanto no Legislativo, indicam que o debate político brasileiro deve permanecer aquecido, com o foco voltado para a segurança e a pauta de costumes, elementos que devem ditar o ritmo da corrida eleitoral nos próximos meses.
Repercussão política: Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas divide Brasília
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas gerou reações distintas e imediatas no cenário político brasileiro. O movimento, que altera o status internacional dos grupos, colocou em lados opostos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do atual governo federal.
Reações do governo Lula e críticas de Celso Amorim
Dentro da cúpula do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida norte-americana foi recebida com ressalvas. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, manifestou críticas à decisão, argumentando que a postura dos Estados Unidos pode ser interpretada como um pretexto para uma possível intervenção externa em questões de segurança pública que, sob a ótica do Palácio do Planalto, seriam de soberania nacional.
O Partido dos Trabalhadores (PT) também se posicionou oficialmente sobre o tema. Em nota, a legenda expressou descontentamento com a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusando o parlamentar de incentivar a interferência dos Estados Unidos nas ações de combate às facções brasileiras.
Defesa e apoio da oposição
Em contrapartida, figuras da oposição celebraram o novo posicionamento dos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro, que recentemente esteve em solo norte-americano e se reuniu com Donald Trump, tem defendido a medida como um passo necessário para o enfrentamento rigoroso ao crime organizado que atua no Brasil.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também manifestou apoio à decisão. Para o governador, a classificação das facções como terroristas é um reconhecimento da gravidade e da extensão das atividades criminosas desses grupos, alinhando-se a uma visão de combate firme à criminalidade que, segundo ele, reforça valores cívicos e o senso de segurança pública.
Contexto institucional e desdobramentos
O debate sobre a eficácia e os impactos dessa classificação internacional ocorre em um momento de tensão política no país. Enquanto o governo federal demonstra preocupação com os limites da soberania diante da política externa dos Estados Unidos, a oposição utiliza a medida para pressionar por uma postura mais severa contra o crime organizado.
A divergência entre as esferas do poder público reflete a polarização sobre como o Estado brasileiro deve lidar com o crime transnacional e as parcerias de cooperação com potências estrangeiras na área de segurança e defesa.


