Pesquisa Datafolha aponta que rejeição ao STF atinge 40 por cento

Rejeição ao STF atinge 40% e empata com recorde negativo em pesquisa Datafolha

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta seu momento de maior desgaste na opinião pública desde o início das medições. Conforme levantamento do instituto Datafolha divulgado nesta segunda-feira, 18, 40% dos brasileiros avaliam o trabalho da Corte como ruim ou péssimo. Este percentual coloca o tribunal em um patamar de desaprovação idêntico ao registrado nos recordes negativos de dezembro de 2019 e dezembro de 2023.

De acordo com os dados, 34% dos entrevistados consideram o desempenho dos magistrados regular, enquanto a parcela que avalia as decisões de maneira positiva soma 22%. A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 12 e 13 de maio, ouvindo 2.004 eleitores. O estudo possui margem de erro de dois pontos percentuais e está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Crise de imagem associada ao Banco Master

O declínio na avaliação do tribunal ocorre em um período marcado por denúncias envolvendo ministros e o Banco Master. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria de um inquérito após a Polícia Federal identificar transações suspeitas: empresas ligadas à instituição financeira adquiriram participações em um hotel de luxo que pertence à família do magistrado.

O ministro Alexandre de Moraes também teve seu nome envolvido no centro das controvérsias. Mensagens interceptadas revelaram diálogos entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro pouco antes de o empresário ser detido. Paralelamente, investigadores localizaram um contrato de valor milionário estabelecido entre o Banco Master e o escritório de advocacia gerido pela esposa de Moraes.

Tensões internas e divergências no tribunal

O cenário de crise gerou uma divisão interna na cúpula do Poder Judiciário. Um bloco composto pelos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino tem pressionado o presidente da Corte, Edson Fachin, por uma postura mais incisiva na defesa dos integrantes do tribunal diante das críticas públicas. Fachin, por sua vez, mantém resistência a essa estratégia e defende a implementação de um novo código de conduta interno.

Em paralelo, o presidente do STF e a ministra Cármen Lúcia concentram esforços em pautas voltadas à limitação dos chamados penduricalhos, que são gratificações responsáveis por elevar os vencimentos de magistrados para além do teto constitucional.

Polarização política reflete na avaliação da Corte

O levantamento do Datafolha evidencia como a polarização política do Brasil influencia a percepção sobre o STF. A avaliação positiva do tribunal é sustentada majoritariamente pelo eleitorado que apoia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os apoiadores do petista, 50% classificam o trabalho da Corte como ótimo ou bom, ao passo que apenas 12% o reprovam.

A situação se inverte entre os eleitores que desaprovam a gestão atual. Entre aqueles que avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, a rejeição ao Supremo chega a 71%. Nesse mesmo segmento, apenas 5% dos entrevistados manifestam uma visão favorável à atuação da mais alta instância do Judiciário brasileiro.

Com informações da Revista Oeste