PF aponta que Daniel Vorcaro ordenou tentativa de invasão ao celular de Lauro Jardim

Crédito da imagem: Ilustração

PF aponta tentativa de invasão ao celular de Lauro Jardim por ordem de Daniel Vorcaro

Investigações da Polícia Federal (PF), conduzidas no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de março, revelaram uma tentativa de invasão ao aparelho celular do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Conforme os documentos obtidos pela corporação, o comando para a ação partiu do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Registros de conversas interceptadas pela PF, divulgados no domingo, 17, pelo programa Fantástico, da TV Globo, detalham o diálogo entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido no meio policial como Sicário. Nas mensagens, o ex-banqueiro solicita explicitamente a invasão do dispositivo do colunista. Em resposta, Mourão afirma que enviaria o grupo operacional, referido como os meninos, para realizar o serviço, mencionando posteriormente ter enviado uma mensagem direta ao telefone do jornalista.

O núcleo operacional e o grupo apelidado de Os Meninos

A apuração policial descreve o grupo denominado Os Meninos como uma estrutura especializada em crimes cibernéticos, incluindo invasões telemáticas, monitoramento digital ilegal e a derrubada de perfis em redes sociais. Segundo as autoridades, esses operadores recebiam uma remuneração mensal de R$ 75 mil.

O núcleo tecnológico do esquema contava com a participação de Victor Lima Sedlmaier, David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, sob a liderança de Luiz Phillipi Mourão. Sedlmaier foi detido no sábado, 16, no Aeroporto de Guarulhos (SP), após ser deportado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele estava foragido desde a decretação de sua prisão preventiva pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O líder do grupo, Mourão, havia sido preso em uma fase anterior da operação e cometeu suicídio enquanto estava sob custódia.

Intimidação e ameaças contra o jornalista

A tentativa de acessar os dados de Lauro Jardim foi um dos argumentos centrais utilizados pela Polícia Federal para fundamentar o pedido de prisão de Daniel Vorcaro, decretado em março. Além do monitoramento, as mensagens revelam episódios de hostilidade. Vorcaro chegou a declarar o desejo de agredir fisicamente o colunista, mencionando a intenção de quebrar os dentes do jornalista e solicitar o seu acompanhamento constante. Mourão respondeu que equipes haviam sido contratadas para seguir o profissional, chegando a cogitar a simulação de um assalto para concretizar um ataque.

As investigações também apontaram a existência de um núcleo denominado A Turma, ligado a Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, que seria responsável por intimidar desafetos da família.

Atualmente, o proprietário do Banco Master está preso em Brasília. A Polícia Federal imputa a ele a liderança de um esquema de fraudes financeiras que pode atingir o montante de R$ 12 bilhões. De acordo com o inquérito, a organização criminosa utilizava inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e contava com a colaboração de agentes policiais e contraventores do jogo do bicho.

Com informações da Revista Oeste