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Investigação sobre Lulinha em desvios no INSS segue ativa após mudanças na Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) reafirmou a continuidade das apurações envolvendo os negócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito do inquérito que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mesmo com a recente alteração no comando da investigação, o cronograma de diligências permanece inalterado, incluindo o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, agendado para o próximo dia 20.
Roberta Luchsinger é alvo de investigações sob a suspeita de atuar como intermediária em repasses financeiros destinados ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oitiva foi determinada ainda em abril, período em que o caso estava sob a condução da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da corporação.
No início deste mês, a PF promoveu uma reestruturação interna, transferindo o inquérito para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores. A unidade é especializada no combate à corrupção, crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Com a mudança, o delegado que até então centralizava as diligências foi substituído, fato que gerou questionamentos tanto em alas da oposição quanto no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Filho do presidente Lula da Silva, Lulinha admitiu ter viajado às custas de Careca do INSS | Foto: Reprodução/X
A Polícia Federal justificou a alteração administrativa argumentando que a medida visa conferir maior eficiência e continuidade ao processo, ressaltando que a nova estrutura possui atuação permanente em casos complexos sob a jurisdição do STF. De acordo com a corporação, a equipe de agentes e delegados foi mantida integralmente para evitar descontinuidade nos trabalhos.
Relação com Careca do INSS e viagens sob suspeita
O foco central dos investigadores recai sobre a conexão entre Lulinha e o empresário Antônio Camilo Antunes, identificado pela PF como “Careca do INSS” e apontado como o principal articulador do esquema. Um dos episódios sob análise é uma viagem de Lulinha a Portugal, custeada por Antônio Camilo. A defesa de Fábio Luís argumenta, em petições enviadas ao STF, que a viagem visava a prospecção de negócios no setor de Cannabis medicinal, projeto que não foi concretizado.
A PF busca esclarecer, por meio do depoimento de Roberta Luchsinger, se houve transações financeiras envolvendo o filho do presidente e o empresário no mesmo setor. A própria defesa de Lulinha reconheceu que foi Roberta quem apresentou Antônio Camilo a Fábio Luís em 2024, descrevendo-o, na ocasião, como um empresário bem-sucedido do mercado farmacêutico.
Careca do INSS: suspeita de ocultação de patrimônio no exterior | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Defesa nega irregularidades
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, declarou que seu cliente segue à disposição para esclarecimentos. Segundo o defensor, não existem elementos concretos que liguem o filho do presidente às fraudes no INSS. A defesa sustenta, ainda, que a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís não apontou pagamentos diretos realizados por Antônio Camilo ou Roberta Luchsinger.
A investigação também apura repasses de R$ 1,5 milhão feitos por Antônio Camilo a Roberta Luchsinger, supostamente destinados a serviços de lobby. Um ex-funcionário do empresário relatou aos investigadores ter ouvido que parte desses valores teria como destino uma “mesada” para Lulinha. Paralelamente, a polícia investiga se pagamentos realizados por Roberta beneficiaram uma agência de viagens utilizada por Fábio Luís. A defesa contesta as alegações, classificando as premissas do relatório policial como falsas e afirmando que os pagamentos à agência ocorreram antes de qualquer contrato entre a empresária e o empresário investigado.
A empresária Roberta Moreira Luchsinger foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro de 2025 | Foto: Reprodução/X/@RoLuchsinger
Até o momento, mais de 30 pessoas foram intimadas a depor no inquérito. A expectativa da Polícia Federal é encerrar a primeira fase das investigações após a conclusão do ciclo atual de oitivas.
O ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito sobre fraudes no INSS | Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Com informações da Revista Oeste


