Claudio Lottenberg assume postos globais no combate ao antissemitismo
O presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Claudio Lottenberg, retornou recentemente de Genebra com novas atribuições internacionais no enfrentamento ao ódio contra o povo judeu. Lottenberg passou a integrar a comissão de combate ao antissemitismo do Congresso Judaico Mundial e assumiu a co-presidência do SECCA, grupo formado por coordenadores e enviados especiais dedicados a monitorar e combater esse fenômeno em escala global.
As nomeações ocorreram durante a reunião anual do Congresso Judaico Mundial, evento que reuniu diplomatas e lideranças de diversas nações. O encontro consolidou o sentimento de urgência que tem pautado a agenda da organização, especialmente após o massacre perpetrado pelo grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023. O episódio marcou uma nova fase de virulência antissemita, que voltou a ganhar tração em diversos países.
Lottenberg observa que o antissemitismo atual se manifesta de formas adaptadas ao contexto contemporâneo. Segundo ele, o ódio ao judeu tem se infiltrado em universidades, redes sociais e espaços públicos sob o disfarce de críticas geopolíticas ou ativismo político. Em entrevista, o líder comunitário destacou que o fenômeno se beneficia da polarização política, da desinformação digital e da erosão da memória histórica.
Para o presidente da CONIB, o cenário pós-7 de outubro foi marcado por uma relativização preocupante da brutalidade terrorista. Lottenberg aponta que, em muitos casos, a fronteira entre a crítica legítima a um governo e a desumanização de indivíduos foi rompida. Esse processo, segundo ele, gera uma sensação de insegurança e vulnerabilidade nas comunidades judaicas, que enfrentam episódios de intimidação e isolamento.
Ao analisar o impacto desse cenário nas democracias liberais, Lottenberg afirma que o crescimento do antissemitismo funciona como um termômetro da saúde democrática. O enfraquecimento de consensos civilizatórios e a ascensão de extremismos, tanto de direita quanto de esquerda, dificultam a convivência plural. Ele ressalta que sociedades polarizadas tendem a buscar inimigos simbólicos, o que coloca em risco os valores de tolerância e liberdade.
Sobre os desafios para o Estado de Direito, o líder comunitário defende que a liberdade de expressão não deve ser um escudo para a incitação ao ódio ou à violência. Lottenberg ressalta a necessidade de um esforço conjunto que envolva governos, instituições de ensino e empresas de tecnologia. Para ele, as plataformas digitais possuem um papel central devido à capacidade dos algoritmos de amplificar discursos radicais.
O combate ao antissemitismo, conforme Lottenberg, não é uma pauta restrita à comunidade judaica, mas um imperativo para a preservação do tecido democrático. Ele defende a aplicação rigorosa da lei, o investimento em educação histórica e uma postura mais responsável por parte das empresas de tecnologia na gestão de conteúdos que promovem a intolerância.
Combate ao antissemitismo é pauta central para a preservação democrática
O enfrentamento ao preconceito contra o povo judeu transcende questões parciais e se consolida como um compromisso indispensável para qualquer sociedade que preze pelos direitos humanos, pela diversidade e pelos princípios democráticos.
Nova representação no Congresso Judaico Mundial
Recentemente eleito para compor o conselho diretivo do Congresso Judaico Mundial, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) encara a função com um elevado senso de dever institucional. A nomeação é vista como um reconhecimento da relevância da comunidade judaica brasileira, que possui um histórico de forte integração e defesa da pluralidade no país.
Ao ocupar este assento, o objetivo principal é elevar a influência da América Latina nas discussões globais sobre o tema. As metas prioritárias da gestão incluem:
- Intensificar o monitoramento de episódios antissemitas.
- Expandir iniciativas voltadas à educação e ao preparo de novas lideranças.
- Fomentar a cooperação entre nações.
- Estabelecer alianças estratégicas para conter o avanço da intolerância.
Relações diplomáticas e o clima de hostilidade
Questionado sobre o cenário diplomático atual, marcado pela negativa do governo brasileiro em conceder o exequatur para o Cônsul de Israel em São Paulo e para o Cônsul Honorário de Joinville, além de episódios de hostilidade contra turistas israelenses na Bahia, o representante da CONIB adotou uma postura cautelosa. Ele ponderou que classificar o governo Lula como antissemita é uma simplificação que não contribui para a qualidade do debate público.
Segundo o dirigente, divergências diplomáticas e políticas fazem parte da dinâmica internacional e do exercício democrático. No entanto, ele alertou para um limite perigoso: o momento em que a crítica legítima a decisões do governo israelense é substituída por discursos que fomentam a hostilidade contra judeus ou cidadãos de Israel.
Para ele, é fundamental distinguir a divergência política da legitimação do ódio. Quando o ambiente de debate permite que estudantes, turistas ou membros de comunidades locais sejam alvo de constrangimentos, a sociedade ultrapassa uma fronteira de risco. A responsabilidade de agentes públicos é central nesse processo, já que declarações inflamadas podem servir de combustível para a intolerância em um cenário de alta polarização.
Tradição e resiliência nas relações entre Brasil e Israel
Apesar das tensões atuais, o presidente da CONIB destacou que os governos são passageiros, enquanto os laços entre as nações possuem caráter permanente. Ele recordou que o Brasil mantém relações históricas com o Estado de Israel desde a fundação do país, tendo inclusive desempenhado um papel ativo e decisivo na criação do Estado israelense em 1948.
Por fim, o dirigente reforçou que a maioria da população brasileira mantém um sentimento de respeito e identificação com o povo israelense. Da mesma forma, ressaltou que existe, historicamente, uma relação de admiração mútua e carinho entre o povo de Israel e a sociedade brasileira, elementos que devem ser preservados contra a importação de conflitos externos que ameacem a convivência pacífica e plural no Brasil.
Com informações da Revista Oeste


