Operação Sem Refino mira esquema bilionário de fraude fiscal no Rio de Janeiro
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 15, a Operação Sem Refino, cumprindo 15 mandados de busca e apreensão. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraude fiscal bilionária envolvendo o Grupo Refit, anteriormente conhecido como Refinaria de Manguinhos.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as medidas determinadas pelo magistrado, consta a inclusão do nome do empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do grupo e principal alvo da investigação, na Difusão Vermelha da Interpol, visando sua localização e prisão internacional.
Ao todo, a ofensiva da PF atingiu 13 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas: a própria Refinaria de Manguinhos e a FIDD Administração de Recursos Ltda., ambas apontadas como peças centrais na estrutura criminosa.
Principais investigados no esquema
Ricardo Andrade Magro, que atualmente reside em Miami, é apontado pelas autoridades como o líder da organização. A Receita Federal o classifica como o maior sonegador de impostos do país. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também foi alvo de busca e apreensão sob suspeita de ter concedido favorecimento institucional à refinaria.
A investigação destaca a edição da Lei Complementar 225/2025, chamada pelos investigadores de Lei Ricardo Magro, por supostamente criar facilidades para o refinanciamento de dívidas da Refit. Além de Castro, outros nomes de destaque no setor público e no Judiciário estão sob suspeita:
- Juliano Pasqual: ex-secretário estadual de Fazenda, apontado por alinhar interesses em favor do grupo empresarial.
- Renan Miguel Saad: ex-procurador-geral do Estado, suspeito de atuar judicialmente para retomar as operações da refinaria após interdições anteriores.
- Guaraci de Campos Vianna: desembargador afastado pelo Conselho Nacional de Justiça por proferir decisões consideradas favoráveis à Refinaria de Manguinhos, ignorando alertas de órgãos federais e do Superior Tribunal de Justiça.
- Adilson Zegur: ex-subsecretário da Receita estadual, investigado por usar sua influência para beneficiar o Grupo Refit e prejudicar concorrentes do setor de combustíveis.
- José Eduardo Lopes Teixeira Filho: chefe da Superintendência de Fiscalização e Inteligência Fiscal desde fevereiro de 2025, cujo contato telefônico estaria salvo sob a alcunha de Pix em dispositivos de outros investigados.
- Renato Jordão Bussiere: ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), suspeito de oferecer suporte técnico à refinaria à revelia de questionamentos da Agência Nacional do Petróleo.
- Álvaro Barcha Cardoso: apontado como operador com trânsito livre na Secretaria de Fazenda e contatos frequentes com o alto escalão fiscal.
A PF também investiga a atuação de policiais no esquema. Os escrivães Márcio Cordeiro Gonçalves e Márcio Pereira Pinto são suspeitos de utilizar uma linha telefônica registrada em nome de uma pessoa falecida em 2021 para ocultar identidades. Já o policial civil Maxwell Moraes Fernandes é apontado por realizar interferências para proteger o grupo e por movimentações financeiras atípicas.
Imagem ilustrativa: Pexels / Riccardo.
Com informações da Revista Oeste


