Senado reembolsa viagem de Flávio Bolsonaro para encontro com Daniel Vorcaro

Crédito da imagem: Ilustrativo/Gerado por IA

Senado pagou viagem de Flávio Bolsonaro para encontro com Daniel Vorcaro

O Senado Federal realizou o reembolso de despesas de viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) referentes a um deslocamento até São Paulo. O objetivo do parlamentar, segundo sua própria justificativa, era reunir-se com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para encerrar tratativas contratuais ligadas ao financiamento de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com registros do Portal da Transparência do Senado, o reembolso abrangeu duas passagens aéreas emitidas em 29 de novembro de 2025. O período coincide com o dia seguinte à soltura de Vorcaro, que havia sido detido pela Polícia Federal (PF). O caso foi reportado inicialmente pelo portal ICL Notícias.

Os custos da viagem totalizaram R$ 2.540,09, valor que foi integralmente restituído pela Casa legislativa. O trecho de ida, saindo de Brasília, custou R$ 2.126,77, enquanto o retorno, partindo do Aeroporto de Congonhas, somou R$ 413,32. O montante foi pago via cartão de crédito e compôs um total de R$ 13.157,38 em passagens aéreas reembolsadas ao senador naquele mês.

Em manifestação pública, Flávio Bolsonaro confirmou o encontro com o ex-banqueiro, que na ocasião cumpria medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar a capital paulista. O senador alegou que a reunião serviu para selar o encerramento das negociações do contrato de financiamento do longa-metragem intitulado Dark Horse.

O parlamentar argumentou que a situação jurídica de Vorcaro dificultou a atração de novos investidores para a obra. Em áudio datado de novembro de 2024, Flávio Bolsonaro aparece solicitando R$ 134 milhões ao empresário para o projeto. O fundador do Banco Master teria, conforme os relatos, repassado R$ 61 milhões para a produção. O filme conta com a participação do ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro.

Diante da repercussão, o senador negou qualquer ganho pessoal e ressaltou que a iniciativa tratava-se de um filho buscando patrocínio privado para um filme sobre a trajetória do pai. Flávio Bolsonaro também garantiu que não houve utilização de verbas públicas ou recursos provenientes da Lei Rouanet.

Produtora contesta repasses e apurações da PF seguem em curso

A produtora responsável pela obra, Go Up Entertainment Ltda, negou ter recebido os valores diretamente de Vorcaro. Em declarações à TV Globo e à GloboNews, a empresária Karina Gama afirmou que o orçamento executado do filme é de US$ 13 milhões, aproximadamente R$ 65,6 milhões na conversão da época. Segundo ela, o montante originou-se do fundo norte-americano Heavensgate, sob administração do advogado Paulo Calixto, aliado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro.

Contudo, investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam para a empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada a Daniel Vorcaro, como a real fonte dos recursos destinados ao filme. As autoridades também verificam se parte desse montante teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.

Além disso, a regularidade da produtora é objeto de análise. Dados obtidos junto à Agência Nacional do Cinema indicam que o registro da empresa no sistema federal ocorreu apenas oito meses após a formalização do contrato com Vorcaro.

Com informações da Revista Oeste