Startup Patina levanta 2 milhões de dólares para criar novas moléculas olfativas

Startup Patina levanta 2 milhões de dólares para criar novas moléculas olfativas

Patina levanta US$ 2 milhões para revolucionar a indústria de fragrâncias com IA

A Patina, startup focada em tecnologia de inovações, acaba de garantir um suporte de US$ 2 milhões. A rodada de investimentos contou com a participação da Betaworks e da True Ventures, sinalizando o interesse do mercado em uma área que ocorreu por décadas: a inovação molecular no setor de aromas.

Inovação molecular e o fim do monopólio dos grandes laboratórios

Atualmente, o mercado de fragrâncias depende de um grupo restrito de laboratórios que detém o domínio sobre a criação de moléculas de aroma. Essas empresas fornecem os insumos para marcas de cosméticos, perfumes e produtos de higiene. A Patina propõe uma ruptura nesse modelo, utilizando design molecular avançado e inteligência artificial para democratizar e ampliar a criação de novas essências.

A startup foi idealizada por Sean Raspet, artista e perfumista com trajetória voltada à exploração dos sentidos, e Laura Sisson, especialista em engenharia de alimentos e software. O encontro da dupla ocorreu em 2024, em uma galeria de arte olfativa em Nova York, onde ambos compartilharam a visão de que a ciência dos aromas estava pronta para um salto tecnológico.

O Sense1 e o código universal do cheiro

O principal projeto da companhia é o Sentido1um modelo computacional que busca replicar os receptores olfativos humanos. O objetivo é estabelecer o que os fundadores definem como o primeiro código universal de cheiro e sabor. A iniciativa visa superar a imprecisão de termos subjetivos, como floral ou amadeirado, que geram inconsistências globais na indústria.

Ao atuar diretamente no nível biológico dos receptores, a Patina consegue:

  • Criar moléculas inéditas que nunca foram sentidas antes.
  • Reconstruir ingredientes naturais raros com proteção biológica.
  • Reduzir a dependência de extração vegetal, evitando o uso de água e produtos petroquímicos.

Sustentabilidade e competitividade no mercado

Além da inovação criativa, a empresa responde a uma demanda latente por insumos mais sustentáveis. Com a alta nos custos e a dificuldade de produção de ingredientes naturais, como o óleo de rosa, as alternativas sintéticas feitas pela Patina oferecem uma solução eficiente e com menor pegada de carbono.

A startup já negocia parcerias com grandes casas de fragrâncias e marcas de moda. O diferencial competitivo da Patina reside na agilidade fornecida pela IA, que permite desenvolver personalizados em semanas, um processo que anteriormente levava anos. Esse cenário de inovação coloca a empresa em um ecossistema que já conta com nomes como Osmo, além de gigantescas condições como Givaudan e Symrise.

O futuro: um Pantone para aromas

O capital captado já permitiu a transferência da operação para um escritório em Bushwick, no Brooklyn, onde uma equipe de produtos químicos trabalha na expansão das moléculas e no fortalecimento de parcerias acadêmicas. O financiamento também é destinado à coleta de dados de ativação de receptores, essencial para o aprimoramento da simulação computacional da empresa.

A ambição de longo prazo da Patina é estabelecer um sistema universal de correspondência de aromas, funcionando como um Pantone para cheiros, onde moléculas primárias serviriam de base para a construção de qualquer fragrância ou sabor.

Para Raspet, a tecnologia finalmente alcançou o nível necessário para que a ciência olfativa deixe de ser um campo de tentativa e erro e passe a ser uma disciplina fundamentada em dados, com a Patina atuando como a inteligência central dessa nova era sensorial.

Com informações do Techcrunch