STF Confirma Lei de Igualdade Salarial Entre Gêneros
Decisão Unânime Garante Remuneração Equitativa
Em uma decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou, nesta quinta-feira, 14 de março, dispositivos cruciais da lei que visa promover a igualdade salarial entre homens e mulheres. A legislação, promulgada em 2023, estabelece a obrigatoriedade de remuneração idêntica para profissionais que desempenham as mesmas funções, independentemente do gênero.
Obrigações e Penalidades para Empresas
A Lei 14.611/2023 impõe às empresas com quadro de pessoal superior a 100 funcionários a responsabilidade de divulgar informações sobre seus salários. Tais companhias devem submeter relatórios de transparência ao Ministério do Trabalho e Emprego. A legislação prevê a aplicação de multas em caso de descumprimento. Adicionalmente, as empresas que apresentarem disparidades financeiras comprovadas serão obrigadas a elaborar e implementar um plano de ação voltado à redução dessas diferenças.
Argumentos Jurídicos pela Validação da Lei
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou que a norma contribui significativamente para a transparência dos dados relacionados à desigualdade de gênero no país. Segundo ele, a lei atua diretamente nos fatores sociais que perpetuam essa distorção. “Não é possível a construção de uma sociedade livre, justa e solidária se houver discriminação”, afirmou Moraes.
O magistrado refutou a alegação de interferência indevida do Estado nas operações empresariais, ressaltando que a medida está em conformidade com a Convenção 100 da Organização Internacional do Trabalho. Moraes esclareceu que as penalidades incidem sobre a recusa em divulgar os relatórios de transparência, e não sobre a mera constatação da desigualdade salarial.
A ministra Cármen Lúcia também endossou a validação do texto legal. Para ela, o princípio constitucional de justiça social exige uma atuação contínua do Estado. A magistrada relembrou as múltiplas barreiras enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho, incluindo dificuldades de ascensão profissional e a distribuição desproporcional de tarefas cotidianas.
Proteção de Dados e Transparência
Durante os debates, alguns ministros expressaram preocupação quanto ao sigilo de informações empresariais. O ministro Cristiano Zanin defendeu a importância do anonimato nos relatórios para assegurar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Alexandre de Moraes acolheu a sugestão, propondo que o governo não penalize empresas caso as regulamentações federais demandem a exposição de dados protegidos. O STF também determinou que a lei não invalida as diferenças salariais consideradas legítimas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
As ações que questionavam a lei foram apresentadas à Corte pela Confederação Nacional da Indústria, por centrais sindicais e pelo Partido Novo.
Imagem ilustrativa: Pexels / Rok P.
Com informações da Revista Oeste


