Professor de basquete é preso em Maceió após condenação por abuso de menores

Crédito da imagem: Ilustrativo/Gerado por IA

Prisão de coordenador de esportes em Maceió expõe histórico de abusos contra atletas

A detenção de um professor e coordenador de esportes, ocorrida no último sábado (16) em Maceió, trouxe à tona relatos contundentes sobre uma prática sistemática de abuso que, segundo testemunhas, era de conhecimento comum no meio do basquete local. O homem, que já possuía uma condenação judicial, foi preso em cumprimento a um mandado por importunação sexual e ainda deve cumprir uma pena de 8 anos e 9 meses.

Após a confirmação da prisão, diversos integrantes da comunidade esportiva utilizaram a internet para manifestar alívio e repúdio à permanência do condenado no ambiente escolar e esportivo. Em relatos emocionados, vítimas e testemunhas descreveram o medo que o suspeito impunha, valendo-se de sua influência para silenciar denúncias por anos.

Uma testemunha, em depoimento à TV Pajuçara, descreveu o comportamento do treinador como o de um sociopata. Segundo o relato, o local de treinamento era utilizado para fins de abuso, onde o educador manipulava jovens atletas com a promessa de sucesso na carreira. A testemunha detalhou que ele condicionava o desenvolvimento esportivo dos menores à submissão aos seus desejos sexuais, incluindo atos de importunação, consumo de bebidas alcoólicas com adolescentes e atos libidinosos forçados.

Hoje eu chorei de emoção ao saber da prisão desse indivíduo. Muita gente o apoiava, talvez pelo poder que ele exercia. Durante muito tempo, tive medo do que aquele psicopata ainda poderia fazer com mais crianças e adolescentes. Minha solidariedade a todas as vítimas desse crápula, que finalmente viram a justiça começar a ser feita.

Histórico de investigações e condenação

O caso ganhou contornos oficiais em julho de 2011, quando o Ministério Público do Estado (MP) determinou a abertura de um inquérito policial e o afastamento imediato do professor de suas funções. A condenação baseou-se no Artigo 215-A do Código Penal, que tipifica a prática de ato libidinoso sem anuência para satisfazer a própria lascívia.

Apesar da gravidade, o investigado, que era uma figura influente no basquete alagoano com passagens por colégios e conquistas em competições como as Olimpíadas Escolares, continuou atuando na área. Em 2024, o MP instaurou um procedimento administrativo para verificar se o condenado ainda exercia atividades em instituições de ensino, período em que foi identificado como coordenador de esportes em um centro universitário.

Posicionamento da Federação de Basketball de Alagoas

Em nota oficial divulgada na segunda-feira (18), a Federação de Basketball de Alagoas reforçou que o professor foi afastado de todas as atividades vinculadas à entidade ainda em 2011, logo após as primeiras denúncias. A instituição repudiou os atos criminosos e destacou que nenhuma gestão posterior manteve qualquer vínculo institucional com o condenado.

Principais pontos da nota:

  • Repúdio absoluto aos fatos divulgados e solidariedade às vítimas.
  • Confirmação do desligamento definitivo do ex-colaborador desde o surgimento das denúncias iniciais.
  • Compromisso da entidade com a ética, integridade e proteção de crianças e adolescentes no esporte.