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Operação Juros Zero investiga esquema de descontos irregulares em salários de servidores do DF
A arrecadação da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) registrou um crescimento atípico de aproximadamente 48 mil% em um período inferior a dois anos. O dado consta na decisão judicial que fundamentou a Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira, 19, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
De acordo com o MPDFT, a entidade é apontada como o eixo central de um suposto esquema voltado à realização de descontos indevidos nos contracheques de servidores públicos locais. O caso foi alvo de análise pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal, que identificou a evolução financeira entre 2023 e agosto de 2025. Para os investigadores, o salto na arrecadação é incompatível com a capacidade operacional e a estrutura física da associação.
As apurações apontam que a estrutura da ASDF era utilizada para facilitar a concessão de empréstimos consignados. O sistema, contudo, mascarava essas operações ao registrar os valores debitados como pagamentos de planos de saúde. Em diversas situações, os descontos eram efetuados sem a devida autorização dos funcionários públicos.
Buscas e apreensões atingem instituições financeiras e órgãos públicos
O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios autorizou a execução de 50 mandados de busca e apreensão. A ação alcançou diversos órgãos e instituições, incluindo o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e a instituição financeira PicPay.
Conforme o material enviado pelo Ministério Público à Justiça, existem elementos que sugerem o funcionamento da ASDF como uma entidade de fachada. Relatórios indicam que a sede da associação está instalada em um espaço de coworking, sem possuir rede credenciada própria ou suporte técnico que justifique o vultoso volume de recursos movimentados.
A investigação também se baseia em inúmeras contestações feitas por servidores, que afirmam desconhecer qualquer vínculo com a associação e negam ter autorizado qualquer tipo de débito em seus vencimentos. O Ministério Público sustenta que a entidade não desempenhava, na prática, as finalidades associativas que justificariam sua existência.
Fonte: Revista Oeste


