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Benchmark Capital rompe tradição e levanta US$ 2 bilhões para expandir atuação em IA
A Benchmark Capital, nome histórico do capital de risco no Vale do Silício, está abandonando uma de suas marcas registradas mais longevas. Reconhecida por apostas iniciais em gigantes como eBay, Snap, Uber e Twitter, a empresa decidiu elevar o patamar de seus investimentos. Após mais de 20 anos mantendo seus fundos na casa dos US$ 425 milhões para focar exclusivamente no estágio inicial, a empresa oficializou a captação de US$ 2 bilhões distribuídos em dois novos veículos. Deste montante, US$ 1,25 bilhão será destinado especificamente às rodadas de projetos mais avançados.
Mudança estratégica frente à era da Inteligência Artificial
Historicamente, a Benchmark consolidou sua reputação com uma estratégia de seleção rigorosa, garantindo participações robustas — muitas vezes na casa dos 20% — em cada startup. No entanto, o conservadorismo no tamanho dos fundos acabou limitando a capacidade da empresa de entrar em projetos intensivos em capital, como é o caso dos fabricantes de modelos de base de Inteligência Artificial. Devido a essa restrição, a empresa ficou com fora de rodadas bilionárias envolvendo nomes como Anthropic, OpenAI, Periodic Labs, Reflection AI e Recursive Superintelligence.
Quando a Benchmark se aventurou na IA, os resultados trouxeram lições. A firma liderou um transporte de US$ 75 milhões na Manus, plataforma de agentes de IA de Singapura que alcançou US$ 100 milhões em receita recorrente anual em tempo recorde. Embora a Meta tenha acordado a compra da Manus por cerca de US$ 2 bilhões no final do ano passado, a transação foi barrada pelos reguladores chineses em abril, sob denúncias de violação de leis de controle de exportações, mantendo o investimento da Benchmark em um cenário incorreto.
Flexibilidade e novos horizontes
O novo fundo de US$ 750 milhões para estágio inicial permitirá à Benchmark maior agilidade em um mercado onde as avaliações dispararam. A facilidade já pode ser vista em movimentações recentes, como os esportes nas startups da Série B Gumloop e Monaco. Conforme destacou o sócio-gerente Everett Randle, o foco da firma é construir relações profundas com empreendedores, seja na fase semente, Série A ou Série B.
O sucesso retumbante com a Cerebras serviu como resultado para a criação de um fundo de crescimento dedicado. Após liderar a Série A da fabricante de chips em 2016 e levantar um veículo de propósito específico (SPV) de US$ 225 milhões para uma rodada pré-IPO, a Benchmark viu seu investimento gerar US$ 3,25 bilhões no IPO realizado no mês passado. O novo fundo de crescimento planejado realizado de cinco a seis grandes apostas.
Renovação na liderança da firma
Além da mudança na estratégia de capital, o Benchmark passou por uma reestruturação significativa em seu quadro de sócios nos últimos dois anos:
- Saídas: Miles Grimshaw retornou à Thrive Capital em 2024; Sarah Tavel, a primeira mulher a ocupar o posto de sócio-gerente, tornou-se sócia de risco; e Victor Lazarte deixou firma para financiar seu próprio negócio.
- Chegadas: Para fortalecer a equipe, a Benchmark recrutou Everett Randle, vindo da Kleiner Perkins, e Jack Altman, irmão de Sam Altman, CEO da OpenAI.
Essas movimentações indicam que o Benchmark, tradicionalmente avessa ao crescimento acelerado, confirma que o atual ciclo da tecnologia exige um novo manual de operações: mais capital, maior abrangência de estágios e uma renovação constante no comando.
Com informações do Techcrunch


