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Colômbia busca apagar traumas do passado em sua sétima participação em Copas do Mundo
Ao falar de Colômbia em Mundiais, a memória do torcedor é inevitavelmente assombrada pelo trágico episódio envolvendo o ex-zagueiro Andrés Escobar. O jogador, que marcou um gol contra na edição de 1994, foi assassinado após retornar ao seu país, tornando-se o símbolo mais doloroso de uma nação que, apesar de ter revelado ídolos como Valderrama, Falcão Garcia, Higuita, Rincón e James Rodríguez, ainda persegue um desempenho histórico no torneio.
Após ficar fora da edição do Catar em 2022, a seleção colombiana retorna ao palco principal do futebol mundial em 2026 para sua sétima participação. A caminhada no Grupo G começa nesta quarta-feira, às 23h (horário de Brasília), em um confronto direto contra o Uzbequistão.
Com um retrospecto de 22 partidas disputadas em Copas, a Colômbia acumula nove vitórias, três empates e dez derrotas, totalizando um aproveitamento de 45,4%. Ao longo desses jogos, a equipe balançou as redes 32 vezes e sofreu 30 gols. A esperança recai sobre James Rodríguez, que assume o papel de liderança na tentativa de superar as expectativas que, historicamente, pesam sobre o time.
A comissão técnica atual carrega o DNA de sucessos recentes, já que o treinador Néstor Lorenzo atuou como auxiliar de José Pekerman nas Copas de 2014 e 2018. O elenco atual busca emular a criatividade das equipes dos anos 90, contando com nomes de peso no setor ofensivo, como Luis Díaz, do Bayern de Munique, Richard Ríos, do Benfica, e Jhon Arias, atleta do Palmeiras.
As gerações da Colômbia nas Copas
1962: O início e o feito de Marcos Coll
Embora não tenha vencido nenhuma partida em sua primeira Copa, aquela equipe deixou marcas indeléveis. O capitão Zuluaga anotou o primeiro gol do país em Mundiais ao converter um pênalti contra o Uruguai. O destaque absoluto foi Marcos Coll, que entrou para a história como o único jogador a marcar um gol olímpico em Copas, superando o lendário goleiro soviético Yashin, o Aranha Negra. Apesar do empate épico em 4 a 4 contra a União Soviética e das derrotas para Uruguai e Iugoslávia, o time encerrou sua participação na lanterna do grupo.
1990-1998: O auge do estilo ofensivo
Esta geração ficou marcada pela irreverência e por grandes talentos. Em 1990, a Colômbia celebrou sua primeira vitória em Copas contra os Emirados Árabes (2 a 0). A trajetória, no entanto, foi interrompida nas oitavas de final pela seleção de Camarões, liderada por Roger Milla. O goleiro Higuita, apesar da falha naquele Mundial, seguiu como ícone, eternizado por sua defesa escorpião em amistoso contra a Inglaterra em 1995.
Impulsionado por uma goleada histórica de 5 a 0 sobre a Argentina em pleno solo portenho durante as eliminatórias de 1993, aquele grupo chegou a ser apontado por Pelé como um dos favoritos ao título de 1994, ratificando a qualidade técnica de jogadores como Valderrama e Asprilla.
Entre a nostalgia e o sonho: o histórico da Colômbia em Copas do Mundo
A trajetória da Colômbia em Mundiais é marcada por contrastes profundos, oscilando entre promessas frustradas e momentos de brilho intenso. Nos anos 90, o otimismo deu lugar à decepção. Em 1994, a equipe chegou com status de favorita, mas amargou derrotas para Romênia (3 a 1) e Estados Unidos (2 a 1) — este último marcado pelo trágico gol contra de Andrés Escobar. Mesmo vencendo a Suíça por 2 a 0, a seleção foi eliminada precocemente na fase de grupos.
O roteiro amargo se repetiu em 1998. Na despedida daquela geração, os colombianos perderam para a Romênia (1 a 0) e, após superarem a Tunísia (1 a 0), sucumbiram diante da Inglaterra (2 a 0), selando mais uma queda prematura.
O auge em 2014 e a resiliência em 2018
2014-18: James, Cuadrado, Mina, Falcão Garcia e Cia.
A história mudou de patamar com a geração de 2014. Mesmo sem Falcão Garcia, que sofreu uma grave lesão no ligamento do joelho antes do torneio, a Colômbia alcançou sua melhor campanha na história. Com 100% de aproveitamento na fase inicial — vitórias sobre Grécia (3 a 0), Costa do Marfim (2 a 1) e Japão (4 a 1) — a equipe encantou com um futebol ofensivo. Após eliminar o Uruguai nas oitavas (2 a 0), a caminhada parou apenas nas quartas, diante do anfitrião Brasil (2 a 1).
James Rodríguez brilhou intensamente naquele Mundial, terminando como artilheiro com seis gols, marca que o consolidou como o maior goleador colombiano em Copas.
Falcão Garcia retornou ao palco mundial em 2018. Após uma estreia negativa contra o Japão (2 a 1), o time reagiu batendo Polônia (3 a 0) e Senegal (1 a 0). Contudo, a jornada terminou nas oitavas de final, em uma disputa de pênaltis contra a Inglaterra, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar.
O ciclo de 2026: renovação e ambição
2026: James, Luis Díaz, Richard Ríos, Arias e Cia.
Para o Mundial de 2026, a base se mantém, mesclando experiência e juventude. Nove jogadores do elenco de 2018 permanecem, incluindo os goleiros Camilo Vargas e Ospina, os laterais Santiago Arias e Mojica, os zagueiros Yerry Mina e Davinson Sánchez, o volante Jefferson Lerma e os meias James Rodríguez e Juan Quintero. Destes, cinco estiveram presentes desde 2014.
Aos 35 anos, James Rodríguez segue como referência técnica, embora enfrente questionamentos internos. Paralelamente, o grupo ganhou fôlego com nomes de destaque na Europa e no futebol brasileiro, como Luis Díaz. Com uma campanha sólida nas Eliminatórias, onde garantiu o terceiro lugar à frente de potências como Brasil e Uruguai, a expectativa cresce.
O técnico Néstor Lorenzo mantém os pés no chão, mas não esconde a meta audaciosa. Em sua chegada aos Estados Unidos, o treinador afirmou que o objetivo é buscar a final, ressaltando que o caminho será construído jogo a jogo.



