Deputado Fred Costa arrenda avião para empresa investigada por tráfico em Minas Gerais

Crédito da imagem: Ilustrativo/Gerado por IA

Arrendamento de aeronave de deputado federal levanta questionamentos sobre empresa investigada pela PF

O arrendamento de uma aeronave pertencente ao deputado federal Fred Costa (PRD-MG) para a empresa CNM Aviação colocou em evidência os vínculos operacionais no setor de táxi aéreo em Minas Gerais. O contrato envolve um bimotor turboélice Embraer Emb-121 Xingu, prefixo PT-MCA, adquirido pelo parlamentar em setembro de 2024 pelo valor de R$ 4 milhões.

O acordo de arrendamento, formalizado em 14 de abril de 2026 e registrado junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), possui validade de 18 meses. Segundo os termos estabelecidos, a empresa deve pagar R$ 4 por quilômetro voado, com a garantia de um faturamento mensal mínimo de R$ 30 mil ao proprietário.

Conexões e investigações da Polícia Federal

A CNM Aviação, empresa de propriedade exclusiva de Juliana Costa Nobre Magalhães, é objeto de investigações da Polícia Federal no âmbito da operação Flight Level, iniciada em abril de 2021. A apuração foca no uso de aeronaves para o tráfico internacional de entorpecentes. O cenário das operações da empresa é um hangar em Belo Horizonte que, em 2020, foi ponto de partida para o envio de 175 quilos de cocaína com destino a Lisboa, em Portugal. Naquele período, o espaço era administrado por uma empresa ligada ao irmão da atual proprietária da CNM.

As investigações apontam que Juliana teria assumido a gestão da empresa após o Ministério Público denunciar seu irmão, Leonardo Costa Nobre, em junho de 2021. Leonardo é apontado pelas autoridades como um dos líderes do grupo criminoso, ao lado de André Luiz Santiago Eleutério. Em março de 2023, ele foi acusado de realizar o pagamento de R$ 3,5 milhões em propina a um advogado de Brasília, filho de um desembargador federal. A Polícia Federal, ao quebrar o sigilo de Juliana, suspeita que ela tenha intermediado o pagamento e assumido o controle dos negócios do irmão.

Esclarecimentos dos envolvidos

Por meio de nota, o deputado Fred Costa defendeu a legalidade do negócio. O parlamentar alegou ter conduzido buscas e diligências prévias sobre a empresa e sua proprietária antes de concretizar o contrato, não encontrando, segundo ele, impeditivos ou indícios de irregularidades. Costa reforçou que não possui qualquer vínculo com episódios ocorridos cinco anos antes da celebração do arrendamento.

A defesa de Juliana Costa Nobre Magalhães, por sua vez, sustentou que ela nunca foi alvo de denúncia por tráfico de drogas e que mantém postura de colaboração com as autoridades para sanar possíveis equívocos. Os advogados da empresária negaram qualquer irregularidade na gestão do espaço e esclareceram que a ligação entre a CNM Táxi Aéreo e a BHZ Táxi Aéreo restringe-se ao compartilhamento do mesmo hangar, mediante cessão de direitos realizada de forma regular.

Fonte: Revista Oeste