Governo dos EUA ordena suspensão dos modelos Claude Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic
O governo norte-americano determinou, na última sexta-feira, a interrupção imediata do acesso aos modelos de inteligência artificial mais avançados da Antrópica: o Claude Fábula 5 eo Claude Mito 5. A medida foi justificada pelas autoridades como uma questão de segurança nacional. Em comunicado oficial publicado na plataforma X, a companhia confirmou o cumprimento da ordem, embora tenha expressado forte discordância quanto à decisão governamental.
A diretriz, recebida pela empresa às 17h21 (horário do leste dos EUA), impõe o desligamento global dos sistemas, indo além das restrições de exportação aplicadas a cidadãos estrangeiros. Outros produtos de IA da Anthropic seguem normalmente.
O papel estratégico do Mythos e o lançamento do Fable 5
Ó Mitosapresentado em abril de 2026, é o modelo mais sofisticado já desenvolvido pela empresa. Devido à sua habilidade singular de detectar vulnerabilidades em sistemas operacionais e navegadores, a Anthropic manteve seu acesso extremamente limitado. Por meio do Projeto Glasswingo uso foi restrito a cerca de 50 organizações parceiras, incluindo gigantes como Amazon, Apple, Google, Microsoft e CrowdStrikefocando estreitamento em cibersegurança defensiva.
Já o Fábula 5disponibilizado ao público há apenas três dias, foi uma aposta comercial da empresa. Projetado para ser uma versão segura do Mythos, o modelo contava com salvaguardas para impedir o uso em áreas sensíveis, como biologia e ataques cibernéticos. Segundo dados da Vals AIo Fable 5 havia se consolidado rapidamente como o modelo de IA mais capaz de ser disponibilizado ao público geral.

Uma controvérsia sobre o suposto jailbreak
Embora a ação oficial cite controles de exportação, a Anthropic aponta em seu blog corporativo que a preocupação real das autoridades seria um possível fuga de presos no Fable 5. A empresa contesta essa visão, alegando que o governo apresentou apenas evidências verbais de uma falha limitada, que permitiria ao modelo analisar bases de código em busca de erros — uma capacidade que, segundo a companhia, já é comum em outros sistemas, como o GPT-5.5 da OpenAI, e amplamente utilizado por profissionais de segurança.
A Antrópico não escondeu sua frustração com o precedente aberto: “Discordamos que a descoberta de um potencial jailbreak restrito deve ser motivo para o recall de um modelo comercial implantado para centenas de milhões de pessoas. Se esse padrão foi aplicado em todo o setor, pensamos que isso essencialmente interrompia todas as novas implantações de modelos para todos os provedores de modelos de fronteira”afirmou a empresa.
Consequências para a Antrópica e o mercado de IA
O episódio ocorre em um momento delicado para a Anthropic, que planeja uma oferta pública inicial (IPO) ainda este ano. A empresa, que contratou sua supervisão como uma alternativa mais cautelosa e ética do mercado, agora enfrentou um efeito colateral inesperado: a narrativa de que seus modelos seriam “perigosos demais” acabou atraindo a atenção rigorosa dos reguladores.
O cenário traz à tona críticas feitas anteriormente por Sam AltmanCEO da OpenAI. Em abril, Altman classificou a estratégia da Anthropic como um “marketing baseado no medo”, indicando que ao promover seus modelos como ameaças potenciais, a empresa acabou criando o ambiente perfeito para que o governo entrevisse. A ironia é que, ao tentar se posicionar como uma opção mais segura, a Anthropic pode ter colocado em risco seus planos de expansão no mercado de capitais.
Com informações do Techcrunch


