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Encontro com ministro do STF antecede operação da PF contra senador
O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master, para explicar sua relação com os empresários Augusto Lima e Daniel Vorcaro. O encontro ocorreu uma semana antes de buscas na residência do parlamentar em Salvador e no hotel onde ele mora em Brasília, durante as quais foram apreendidos US$ 55 mil e 33 mil euros.
Segundo informações da coluna de Malu Gaspar no O Globo, a audiência com Mendonça aconteceu quando o pedido de busca e apreensão contra Wagner já estava em tramitação no Supremo. A atitude gerou questionamentos, pois a operação da Polícia Federal (PF) estava em fase final de preparação.
Relações com empresários e explicações
Durante o encontro, Wagner negou irregularidades em sua relação com os empresários e afirmou que o dinheiro apreendido era proveniente de diárias acumuladas ao longo de viagens internacionais. Ele também defendeu a atuação da nora, Bonnie de Bonilha, em contratos ligados ao ecossistema do banqueiro Daniel Vorcaro.
O senador repetiu argumentos já expostos anteriormente sobre a implantação do Credcesta na Bahia, modalidade de crédito consignado vinculada ao Banco Master. No entanto, investigadores destacam que os envelopes com as diárias mencionadas não foram encontrados durante as buscas.
As buscas ocorreram em 18 de junho, após a assinatura do documento pelo delegado da PF no dia 10. Um dia antes, Wagner foi filmado conversando com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nos bastidores de um evento no Palácio do Planalto. O conteúdo da conversa, porém, permaneceu desconhecido.
Após a operação, Wagner deixou a liderança do governo no Senado após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre o encontro com Mendonça, o senador optou por não comentar.
Durante a ação, foram encontrados documentos e o celular do parlamentar. Em entrevista ao Folha de S.Paulo, Wagner alegou que os valores correspondiam a diárias acumuladas em viagens oficiais, mas as investigações apontam que a quantia apreendida excede o total recebido desde 2019.
Intermediação de Augusto Lima
Na decisão autorizando a operação, Mendonça destacou que Augusto Lima atuou como intermediário entre Wagner e Vorcaro em temas estratégicos para o Banco Master. Entre os assuntos mencionados estão a estrutura acionária do banco, a CPI do Master e a tentativa de venda ao Banco Regional de Brasília.
A investigação aponta que a relação entre Wagner e Lima era marcada por confiança, o que, segundo a PF, teria criado condições para negociações em prol dos interesses do Banco Master. Em 2018, Lima articulou com Wagner a privatização da Empresa Baiana de Alimentos, iniciativa que originou o Credcesta.
Além disso, a PF aponta indícios de que Wagner recebeu pagamentos via empresa da nora e utilizou com frequência aeronaves de Vorcaro. O senador reconheceu ter recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, mas afirmou que o imóvel seria destinado à filha.
Outra revelação foi a entrega de ingressos para shows da cantora Taylor Swift por parte de Lima. Em 2023, os bilhetes custaram R$ 63,3 mil. Wagner admitiu ter recebido os tickets, mas minimizou o episódio, afirmando que não houve troca de favores.
Senador Wagner defende ações em investigação e critica abordagem policial
O senador Wagner respondeu às acusações sobre a reserva de um apartamento em fase de construção, afirmando que não haveria sentido em buscar imóveis em andamento se o objetivo fosse desviar recursos. “A pergunta que cabe é: por que alguém faria uma reserva de imóvel em andamento se o objetivo fosse desviar recursos? Por que eu não pegaria um apartamento novo pronto?”, afirmou durante a defesa.
O político destacou que a compra envolveu negociações complexas, com a necessidade de financiamento e apoio da família. “Não tenho condições de pagar sozinho. Ela vai ter que vender o apartamento dela para ajudar no resto e financiar parte do valor. Eu só quero garantir aquilo lá”, explicou.
Em relação à operação policial, Wagner chamou a ação de uma “patacoada” e criticou a divulgação de imagens de dinheiro e relógios apreendidos. Alega que a investigação foi exageradamente expostas, priorizando a sensacionalização em vez da análise técnica dos fatos.
A declaração ocorreu durante audiência marcada para discutir as implicações do caso no cenário político atual. Representantes de partidos e integrantes do Judiciário acompanharam o depoimento, que reforçou a posição do senador sobre a necessidade de equilíbrio entre transparência e rigor na condução das investigações.
Com informações da Revista Oeste


