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Jaques Wagner nega envolvimento comercial com Augusto Lima e critica PF
O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter uma relação pessoal com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, mas rejeitou qualquer ligação comercial ou favorecimento. As declarações foram feitas durante uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em que o petista detalhou também sua posição sobre a investigação que envolve seu nome.
Wagner afirmou que manteve conversas com Vorcaro, explicou a negociação de um imóvel destinado à filha e destacou ter reclamado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a forma como a Polícia Federal (PF) conduziu a operação que investigou sua ligação com o ex-sócio do Banco Master.
Ao comentar sobre a Operação Compliance Zero, Wagner criticou a divulgação de imagens das cédulas apreendidas durante as buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o senador, a exposição da grana em cima de uma cama com o escudo da PF contrariou a decisão judicial que determinava discrição no cumprimento dos mandados.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?”, questionou. “Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta.”
O parlamentar destacou ter discutido com Lula sobre a investigação e afirmou que não há relação comercial entre ele e Augusto Lima. “O presidente várias vezes me perguntou, e eu continuo afirmando para ele: não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master.”
Relação pessoal com Augusto Lima
Wagner explicou que conheceu Augusto Lima durante a privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e que o contato permaneceu ao longo dos anos. Para ele, essa convivência é natural para um gestor público.
“Conheci Augusto Lima no processo de privatização”, disse. “Criou-se uma relação. Sei que muita gente tem consultorias espalhadas pelo país. Eu poderia ter uma consultoria, não poderia? Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa.”
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita”, afirmou. “Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’. Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona.”
Encontros com Vorcaro
Na entrevista, Wagner revelou que encontrou Daniel Vorcaro apenas duas vezes. A primeira foi quando o banqueiro ingressou no Banco Master, e a segunda ocorreu em São Paulo, durante um encontro para apresentar o ex-ministro Ricardo Lewandowski ao empresário.
“Conheci o Vorcaro duas vezes”, afirmou. “Quando ele veio se apresentar, que virou sócio, e quando eu fui levar o ministro [Ricardo] Lewandowski. O Augusto Lima disse: ‘A gente precisa melhorar o padrão do banco. Você tem alguma sugestão para a área jurídica?’ Eu disse: ‘O ministro Lewandowski tem pouco tempo que se aposentou, não vejo outro nome melhor.’”
Apartamento e pagamentos à empresa da nora
O senador também comentou sobre a negociação de um apartamento em Salvador, mencionado pela PF. Segundo Wagner, o imóvel seria comprado para a filha e nunca chegou a ser parte do seu patrimônio.
“A pergunta que cabe é a seguinte: por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção?”, questionou. “Por que eu não ia pegar um apartamento novo pronto?”
Sobre os R$ 3,5 milhões pagos pelo Banco Master à empresa da nora de Wagner, o parlamentar destacou que os documentos estão escriturados e que a PF é quem deve responder sobre possíveis ligações.
“Isso está lá na empresa deles, tudo escriturado. Aí o cara está inventando que era para mim. Caiu alguma coisa minha aqui? Estou muito tranquilo.”
“Além disso, afirmam que não honraram integralmente as obrigações assumidas”, destacou. “Ao perceberem um aumento significativo no volume de negócios, optaram por ajustar os termos contratuais. No entanto, prefiro que o advogado esclareça detalhes específicos. O ponto central é que se fixam no valor de R$ 3,5 [milhões], referente ao rompimento. Antes disso, porém, havia um fluxo regular de recebimentos mensais. Não tenho certeza sobre o total acumulado, mas o montante era considerável.”
Com informações da Revista Oeste


