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Polícia Federal deflagra nona fase da Operação Compliance Zero com foco no Banco Master
A Polícia Federal (PF) deu continuidade nesta quinta-feira, 18, às investigações da Operação Compliance Zero. A nona fase da ofensiva tem como um dos alvos centrais o empresário Augusto Lima, figura que possui histórico de sociedade com o banqueiro Daniel Vorcaro e que, segundo apurações policiais, mantinha vínculos com o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado.
As autoridades investigam suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. No âmbito da operação, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o senador Jaques Wagner. De acordo com a acusação, o parlamentar teria atuado como intermediário para que Lima viabilizasse a contratação de Ricardo Lewandowski como consultor jurídico da instituição financeira.
Além da suposta intermediação, a PF apura se Wagner teria sido beneficiário de vantagens indevidas oriundas de Lima. Uma das linhas de investigação baseia-se em uma mensagem enviada por Eduardo Sodré Martins, enteado do senador, na qual cobra o pagamento de valores sob suspeita de ilicitude. Em resposta, Jaques Wagner nega qualquer envolvimento com as supostas fraudes atribuídas ao Banco Master.
Augusto Lima, que chegou a ser preso em novembro de 2025 e posteriormente liberado, voltou ao foco da PF após a análise minuciosa de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos. Os investigadores apontam que o empresário teria participado de manobras para transferir ativos do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB) em um momento em que a instituição apresentava sinais de grave deterioração financeira.
A defesa de Lima classificou as diligências como desnecessárias. Em nota oficial, os advogados afirmaram que o empresário sempre pautou sua conduta pelos limites da lei, mantendo transparência, responsabilidade técnica e total observância às normas do sistema financeiro e da administração pública.
Conexões na Bahia e o surgimento do Credcesta
A trajetória de Augusto Lima, de 46 anos, está intrinsecamente ligada à cúpula política da Bahia. Em 2023, o empresário foi homenageado pela Assembleia Legislativa da Bahia com a Comenda 2 de Julho. Na ocasião, o histórico apresentado pela entidade descreveu sua ascensão, desde os primeiros negócios no setor de eventos até a posição de CEO do Banco Master em São Paulo, destacando sua atuação na criação de produtos voltados a servidores públicos, como o Credcesta.
A ascensão de Lima no mercado financeiro teve início em 2018, quando assumiu o setor financeiro da operação de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo. Foi nesse contexto que o produto de crédito consignado Credcesta foi criado. O senador Jaques Wagner sustenta que sua relação com o empresário limitou-se estritamente ao processo de venda da Cesta do Povo.
Para expandir suas operações e financiar o Credcesta, Lima buscou recursos junto a Valério Marega, cuja gestora, a WNT, administrava fundos ligados ao Master. O banqueiro Daniel Vorcaro demonstrou interesse na carteira de crédito e integrou o produto ao portfólio do Master, o que culminou na entrada de Lima como sócio, com 30% de participação, e sua nomeação como CEO do banco.
Intervenções do Banco Central e irregularidades operacionais
Após o rompimento com Vorcaro, Augusto Lima obteve autorização do Banco Central em julho de 2025 para assumir o controle do Banco Pleno. Contudo, a trajetória da instituição foi curta: o Banco Master foi liquidado em novembro, seguido pela liquidação do Banco Pleno em fevereiro. Segundo o regulador, as medidas foram tomadas devido à fragilidade da situação econômico-financeira, falta de liquidez e descumprimento de normas regulatórias.
O Credcesta, produto central na carreira de Lima, também é alvo de questionamentos. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e outros órgãos apontam diversas irregularidades, incluindo a concessão de empréstimos não reconhecidos por beneficiários, duplicidade de nomes em contratos, ausência de assinaturas para validação de operações e a omissão de informações cruciais sobre as taxas de juros aplicadas aos clientes.
Fonte: Revista Oeste


