Lula afirma ter sido surpreendido por novas tarifas impostas pelos Estados Unidos

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Lula manifesta surpresa com nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira, 3, ter sido surpreendido pela iniciativa do governo dos Estados Unidos de implementar novas taxas sobre mercadorias brasileiras. Durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo destacou que a medida rompe com a expectativa de um cenário de maior cooperação entre as duas nações.

Lula mencionou o encontro realizado em 7 de maio, em Washington, com o presidente norte-americano, Donald Trump, como um marco que sugeria o início de um período de diálogo mais fluido. O petista afirmou que estava convicto de que o relacionamento bilateral caminhava para uma lógica mais democrática e civilizada, motivo pelo qual a decisão dos EUA, comunicada recentemente, causou estranheza.

A tensão comercial tem origem em uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse processo resultou em uma recomendação preliminar de sobretaxas que podem oscilar entre 12,5% e 25%. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos estabeleceu que tais tarifas adicionais sobre importações brasileiras podem entrar em vigor a partir de 15 de julho.

Posicionamento do Planalto

Em nota oficial, o governo brasileiro lamentou o desdobramento, classificando a situação como um reflexo de interesses eleitorais e familiares que estariam prejudicando o esforço de articulação diplomática entre os dois países. O Planalto negou a existência de justificativas para medidas unilaterais, citando o histórico da balança comercial, na qual os Estados Unidos mantêm superávit em relação ao Brasil, e mencionou especificamente a defesa de ativos nacionais, como o Pix.

O governo brasileiro também já havia indicado, em momentos anteriores, a suspeita de que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam incentivado o avanço da investigação comercial norte-americana.

Participação na cúpula do G7

Durante o mesmo encontro ministerial, o presidente Lula confirmou sua presença na próxima cúpula do G7, que ocorrerá nos dias 15 e 16 de junho em Evian, nos Alpes Franceses. O convite foi formalizado pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

Lula justificou a decisão de comparecer ao evento, que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, sob o argumento da necessidade de atuar em defesa do multilateralismo e das instituições democráticas. O presidente afirmou que sua ida tem como objetivo combater o que descreveu como um processo de desmonte institucional e democrático no cenário global.

Fonte: Revista Oeste