Lula critica tarifas de 25% impostas pelos EUA e afirma que Brasil não teme ameaças

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Lula reage a taxação de 25% imposta pelos EUA e cobra diálogo com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira, 2, que o Brasil não se deixará intimidar pela decisão do governo dos Estados Unidos de elevar para 25% as tarifas sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada na segunda-feira, 1º, gerou forte reação do mandatário brasileiro, que defendeu a soberania nacional nas relações comerciais.

Durante evento de entrega do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão, em Goiás, Lula afirmou que o país busca a paz e o respeito mútuo, mas ressaltou que não há temor diante de posturas agressivas. O presidente classificou a decisão norte-americana como intempestiva e afirmou que a medida rompe com o entendimento estabelecido durante sua recente visita a Washington.

Impasse comercial e críticas ao Pix

De acordo com o presidente, o aumento das tarifas foi fundamentado em alegações que ele considerou falsas. O governo dos EUA justificou a sobretaxa como uma resposta a práticas comerciais que classificou como desleais. Além da taxação, a administração norte-americana direcionou críticas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, e à atuação do Banco Central do Brasil.

Lula rebateu os argumentos dos EUA ao destacar o superávit comercial que o país mantém na relação com o Brasil. Sobre o Pix, o petista ironizou a postura norte-americana: sugeriu que, em vez de temer a tecnologia brasileira, os Estados Unidos deveriam implementá-la em seu próprio território. Segundo Lula, a resistência dos EUA ao sistema brasileiro estaria ligada ao temor de que a ferramenta prejudique a competitividade de empresas norte-americanas instaladas no Brasil.

Expectativa por negociações

O presidente brasileiro afirmou que aguarda um contato direto de Donald Trump para esclarecer o impasse. Lula relembrou que havia um acordo entre os dois governos para que as negociações sobre propostas comerciais seguissem até o dia 15 de julho. Entre os temas levados pelo Brasil à mesa de discussão, estavam a cooperação para a exploração de terras raras, o combate ao crime organizado e o fortalecimento do comércio bilateral.

Lula cobrou uma explicação sobre o anúncio das tarifas antes do prazo final acordado. Em tom de cobrança, o presidente mencionou a relação pessoal com o líder norte-americano ao declarar que espera uma ligação para entender os motivos da decisão, enfatizando que um acordo dessa natureza não deveria ter a anuência do presidente dos EUA sem o devido diálogo prévio.