Matheus Cunha mantém foto em altar da casa

Crédito da imagem: Ilustração

Matheus Cunha conquista espaço na Seleção com versatilidade e conexão histórica

Com sua adaptabilidade no ataque, Matheus Cunha tem se destacado como peça-chave da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Sua trajetória desde o futebol de base, guiada por Barão Xavier, revela uma relação que ultrapassa a simples formação técnica.

Um altar de inspiração

No Recife, dentro da sala do técnico Barão Xavier, um altar improvisado no canto da mesa sustenta flores, uma vela e imagens religiosas. Entre elas, destaca-se a foto do casamento de Matheus Cunha, momento que o atacante compartilhou com o mentor.

– Essa imagem me emociona porque ele se sentou no meu colo como fazia antes. Mesmo em seu caminho atual, mantém esse carinho – explica Barão Xavier.

Do CT ao futebol profissional

Descoberto aos 11 anos na escolinha de futsal do CT Barão, Matheus Cunha viajava de João Pessoa para o Recife para treinar. A conexão entre os dois se fortaleceu com ações como a doação de chuteiras e a participação em jogos com crianças.

– O sucesso não subiu à cabeça dele – afirma Barão, lembrando do período em que o atacante precisava viajar para a Suíça com recursos limitados.

Após convocação, proteção e reações emocionais

Após ser chamado para a Seleção, Barão colocou fotos de Matheus Cunha no altar, pedindo proteção divina. Quando o atacante marcou três gols nas primeiras partidas da Copa, o técnico confessou ter ficado paralisado.

– Fiquei sem reação. A gente espera, mas nunca sabe como vai ser a resposta – admite Barão.

Com dois gols contra o Haiti e um contra a Escócia, Matheus Cunha tem se consolidado como referência. Sua trajetória, marcada pela humildade, reflete a influência de quem o revelou.

  • Entenda comemoração de surfista de Matheus Cunha pela Seleção
  • Matheus Cunha supera frustração da última Copa e briga com Vini Jr pela artilharia

As chuteiras autografadas e o apoio a projetos sociais reforçam a humildade de um atleta que, mesmo no topo, mantém os pés no chão.

Matheus Cunha: da infância no CT Barão ao protagonismo na Copa

Para Matheus Cunha, a trajetória de destaque no futebol mundial começou cedo. Aos oito anos, no Cabo Branco, e aos nove, já integrando projetos de formação. Seu nome foi eternizado ao vencer o Mundial sub-11 na Suíça, título que marcou sua carreira desde a infância. Mesmo com lesões e desafios ao longo da adolescência — como o tornozelo quebrado aos 15 anos no Coritiba ou a frustração de ser excluído de uma viagem para a Itália —, ele encontrou força para se reinventar.

“Foi um momento difícil, mas foi ali que virei a chave”, relata Cunha. Após chorar naquele episódio, seu pai queria levá-lo para casa, mas o técnico insistiu: “Deixa ficar. Vai conhecer o clube.” A transição de segundo volante para atacante foi marcada pela entrada no sub-19, onde a equipe precisava de reforços. “Foi quando comecei a brilhar realmente”, afirma.

Matheus Cunha ao ser premiado como melhor jogador do Mundial sub-11 na Suíça — Foto: Arquivo Pessoa / cedido ao ge

Aos 27 anos, o atleta é um dos nomes centrais da seleção brasileira na Copa do Mundo. Após a frustração de não ser convocado em 2022, ele se destacou no atual torneio com dois gols na vitória contra o Haiti e outro na segunda partida, disputando a artilharia com Vinícius Júnior (4 gols). Agora, o Brasil enfrentará Japão, Holanda ou Suécia nos 16 avos de final.

Gol de Matheus Cunha na vitória do Brasil sobre o Haiti — Foto: Dylan Martínez/

O CT Barão: berço de talentos

O Centro de Treinamento Barão, no Recife, é responsável por revelar estrelas desde os anos 1990. Além de Matheus Cunha, o local formou nomes como Nino (Zenit), Raniel (ex-Vasco) e Otávio (seleção portuguesa). Hoje, o CT se prepara para uma nova fase, com viagens ao Rio de Janeiro para treinar categorias infantis.

“Ficamos sete meses sem local de treino no ano passado, perdendo atletas e treinando em praças públicas. Agora, com a mesma estrutura, mas com uma nova administração, tudo está diferente”, explica o responsável pelo CT.

O projeto conta com a ajuda da esposa e das quatro filhas, que se formaram em cursos ligados ao esporte — desde educação física até metodologia de treinamento pela CBF. Em média, 150 alunos são atendidos, sendo 60% de meninos carentes, com isenção de mensalidades.

“Trabalhamos muito com inclusão social”, destaca o técnico. “Alguns não têm condições financeiras, mas aqui todos têm chance.”

“O CT Barão é um farol para jovens que precisam de oportunidade. Ver Matheus Cunha chegar à Copa do Mundo é a realização de um sonho coletivo.”