Mãe do menino Henry Borel saiu do Complexo de Gericinó nesta quinta-feira, 04, após decisão tomada ao fim do julgamento que condenou Jairinho a mais de 43 anos de prisão
Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, deixou o Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, às 14h50 desta quinta-feira, 04, após receber perdão judicial no julgamento que apurou a morte do filho. Ela estava presa desde 21 de abril, quando se apresentou à polícia.
A saída ocorreu depois que a juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri, determinou a expedição do alvará de soltura logo após a leitura da sentença, concluída na madrugada desta quinta-feira. Monique deixou a unidade prisional no banco traseiro de um carro, vestindo blusa branca, sem falar com a imprensa. Ela foi buscada por um irmão.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença afastou a acusação de homicídio doloso contra Monique, ou seja, quando há intenção de matar. Os jurados entenderam que ela agiu com negligência, desclassificando a conduta para homicídio culposo, modalidade em que não há intenção de provocar a morte.
Apesar do perdão judicial concedido pela magistrada, Monique Medeiros não foi totalmente absolvida. O júri reconheceu que ela foi omissa diante das agressões e da tortura sofridas por Henry Borel. Pela condenação, a pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de detenção.
Ao analisar a execução da pena, a juíza considerou o tempo em que Monique permaneceu presa preventivamente durante o andamento do processo. Com isso, a soltura foi autorizada logo após a conclusão da sentença.
A decisão gerou reação imediata. Leniel Borel, pai de Henry, criticou o resultado do julgamento e informou que pretende recorrer em relação à situação da ex-mulher. O assistente de acusação Cristiano Medina também afirmou que buscará a anulação do julgamento no ponto que envolve Monique.
O caso teve outro desfecho para Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, ex-vereador e companheiro de Monique à época da morte da criança. Ele foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
A pena de Jairinho foi fixada em 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Ele permanecerá preso. Segundo a defesa, a expectativa é que continue custodiado no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, também localizado no Complexo de Gericinó.
O julgamento do caso Henry Borel voltou a mobilizar forte repercussão nacional, principalmente pela diferença entre as decisões aplicadas a Monique Medeiros e Jairinho. Enquanto ele recebeu pena superior a 43 anos, ela teve a conduta desclassificada para homicídio culposo e foi beneficiada com perdão judicial.


