Gadget Brick ajuda a reduzir tempo de tela

Gadget Brick ajuda a reduzir tempo de tela

Crédito da imagem: TechCrunch

Como o Brick está mudando a forma como usamos smartphones para melhorar hábitos de sono e produtividade

O controle de tempo de tela no iPhone já era uma ferramenta disponível há anos, permitindo que eu usasse 30 minutos por dia em redes sociais. Quantas vezes ignorei as notificações de limitações e continuei assistindo vídeos curtos e repetitivos? A realidade era perturbadora.

A solução que precisei veio com um objeto simples: um pedaço de plástico cinza por US$ 59 (embora a autodisciplina tivesse sido mais barata, mas estava fora do estoque). O Brick, um dispositivo magnético e do tamanho de uma caixa de fósforos, conseguiu o que nenhum aplicativo de controle de tempo jamais alcançou: reduzir minha dependência do celular e melhorar meus hábitos de sono.

Diferente dos aplicativos tradicionais de limitações de uso, o Brick se destaca por integrar a experiência física. O gadget, que utiliza a tecnologia NFC, só permite desbloquear os limites personalizados se o usuário tocar o celular nele — como em um terminal de pagamento. A simples necessidade de levantar da cama e interagir com o dispositivo já evita que eu use aplicativos como o Instagram.

“O Brick nasceu de uma necessidade pessoal: os smartphones atrapalhavam a vida cotidiana”, explicou Zach Nasgowitz, cofundador da empresa. “Procuramos soluções no dia a dia, mas nada funcionou como esperávamos. Então decidimos criar algo que resolvesse esse problema.”

O gadget Brick ajuda a reduzir o tempo de tela
Créditos da imagem:Tijolo (abre em nova janela)

Ao usar o Brick para melhorar minha higiene do sono, percebi que o resultado foi surpreendente — até melhor do que eu esperava.

Muitos millennials, especialmente aqueles que não têm internet, têm o hábito de ficar no celular na cama antes de dormir. Isso dificulta o sono e, pior ainda, algumas vezes acordei ainda com o aparelho em mãos, começando o dia cansado.

Criei um modo “Sleep” no aplicativo do Brick, que é ativado automaticamente às 21h30. Nesse período, todos os aplicativos ficam bloqueados, exceto mensagens (para manter contato) e áudio (como podcasts). Para usar o celular ao acordar, preciso sair da cama, descer até a sala e tocar o aparelho no Brick. Se preferir, existem alternativas como o Dreamie, um despertador que não permite usar o celular na cama.

É vergonhoso supor que preciso de um objeto físico para mudar minha rotina, mas sem o Brick, seria muito fácil voltar aos velhos hábitos. Testei uma unidade enviada pela empresa e percebi tanta eficácia que planejo adquirir uma (as unidades de avaliação são doadas por motivos éticos). Para quem quiser, até é possível construir algo semelhante usando uma tag NFC e atalhos da Apple.

“Soluções baseadas apenas em software, como o Screen Time ou Digital Wellbeing, são simples de contornar. O que realmente funciona é adicionar fricção”, explicou TJ Driver, outro cofundador. “Isso permite que a tecnologia física entre em cena e crie uma separação real, algo que um simples alerta no software não consegue replicar. A necessidade de retornar fisicamente ao dispositivo para desbloquear as apps torna a decisão consciente, não um reflexo automático.”

O Brick oferece alguns “desbloques emergenciais” para críticas de situações, como quando estou fora de casa e preciso usar o Google Maps ou Uber. Porém, prefiro incluir esses apps no modo Sleep, evitando desperdício de recursos. Não vejo problema em abrir o Uber para chegar a um destino – e certamente não o uso para rolar infinitamente.

“Em vez de depender constantemente da força de vontade, é mais eficaz projetar um ambiente que não exija sempre esse esforço”, destacou Driver. “Produtos como o Brick ajudam as pessoas a escolherem como querem que o celular sirva melhor em determinado momento ou tarefa, e depois criar um ambiente digital que não exija mais pensamento.”

O gadget Brick ajuda a reduzir o tempo de tela
Créditos da imagem:Brick, capturas de tela por TechCrunch

A ênfase em personalização e autonomia foi o que fez o produto funcionar para tantos usuários.

“Um cliente queria um celular ‘burro’ há anos, mas não conseguiu abandonar o KakaoTalk, app essencial para se comunicar com familiares na Coreia”, contou Nasgowitz. “Ele apareceu que ‘o Brick transformou meu aparelho no que sempre desejei: um telefone que possa enviar mensagens, fazer ligações, tirar fotos e usar o KakaoTalk.

Com a crescente desconfiança em relação às Big Tech, mais pessoas estão considerando migrar para celulares “burros”. No entanto, modelos de linha reta não são adequados para nossos hábitos atuais — como escanear ingressos, pagar passagens ou usar aplicativos de autenticação. Empresas como Dumb.Co e Commodore estão tentando adaptar esse tipo de tecnologia para incluir funcionalidades modernas.

Se a ideia de migrar totalmente para um modelo mais antigo parece assustadora, o Brick oferece uma alternativa interativa. Você pode personalizar o uso do celular de acordo com suas necessidades, sem mudanças radicais.

“Ao olhar para o movimento de controle de tempo de tela como um todo, não se trata de rejeitar a tecnologia”, concluiu Driver. “Trata-se de recuperar a autonomia e voltar à intencionalidade.”

Com informações do Techcrunch