
Esquecimentos em robotáxis: o novo desafio do Uber na gestão de itens perdidos
Ao longo da última década, o relatório anual de descobertas e perdas da Uber consolidou-se como uma tabela inusitada do comportamento humano. A lista, que soma milhões de objetos esquecidos anualmente, transita entre o cotidiano — como laptops e smartphones — e o bizarro, incluindo desde peixes vivos e trenós até uma tornozeleira eletrônica e um sapato de luxo da grife Louboutin.
A era dos robotáxis e dos novos itens esquecidos
Com a expansão da frota autônoma, a Uber enfrenta agora uma nova variável: a gestão de milhares de itens esquecidos dentro do robotáxis. Embora o volume ainda não alcance a escala dos milhões registrados em viagens prejudiciais, a diversidade dos objetos deixados nos veículos sem motorista é surpreendente. Entre os itens recuperados no último ano, destacam-se uma dentadura, uma bolsa estampada com a frase I Heart Hot Dads e um chapéu azul com a inscrição Humano de Suporte Emocional.
A logística para recuperar esses pertences — que inclui desde um pato de mármore preto e um ioiô de quase 7 quilos até um Squishmallow e um transportador da cantora Charli XCX — mantém a estrutura já conhecida pelos usuários. O passageiro deve acessar a aba de atividades no aplicativo, selecionar a viagem específica e entrar em contato com o suporte. De acordo com a localização do objeto, o usuário pode optar por buscar o item pessoalmente em um depósito de veículos gratuitos ou pagar uma taxa de US$ 15 para que um motorista do Uber Courier realize a entrega no mesmo dia.
Expansão da autonomia e infraestrutura de suporte
A estratégia de veículos autônomos (AV) da Uber ganhou atração significativa em março de 2025, com o lançamento do serviço Waymo no Uber em Austin. Desde então, a parceria se estendeu para Atlanta. O portfólio da empresa também inclui colaborações com a Motional em Las Vegas e a Avride em Dallas, estas últimas ainda operando com supervisores humanos.
Sobre a transição para a frota autônoma, Amy Satrom, chefe global de suporte independente da Uber, ressaltou a adaptabilidade dos sistemas da companhia. Segundo Satrom, a empresa está integrando suas operações de frota e equipes de suporte para garantir que a recuperação de itens continue sendo um processo ágil, mesmo na ausência de um condutor humano.
Visão de mercado e ambições para 2029
O foco em tecnologia sem motorista foi formalizado em fevereiro com a criação da Soluções autônomas Uber. Esta nova de negócios oferece um ecossistema completo de serviços para empresas do setor, abrangendo desde software até suporte operacional para robotáxis, trens independentes e robôs de entrega.
A meta da Uber é ambiciosa: expandir a oferta de viagens em robotáxis para até 15 cidades ao redor do mundo até o final deste ano. A longo prazo, a companhia projeta consolidar-se como a maior facilitadora global de mobilidade autônoma até 2029, provando que, mesmo em um futuro automatizado, o serviço de atendimento ao cliente continua sendo o pilar central da experiência do usuário.
Com informações do Techcrunch


