PF analisa celulares de Vorcaro em operação que pode durar até 2027

Crédito da imagem: Ilustrativo/Gerado por IA

Polícia Federal investiga celulares de Daniel Vorcaro em operação que pode durar até 2027

A Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF) continua com a análise de ao menos 60 dispositivos eletrônicos apreendidos durante as investigações contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O processo, que já envolveu a pericia de cinco aparelhos, pode se estender por meses e, segundo estimativas, atingir até o final de 2027.

Entre os itens em análise, destacam-se oito celulares encontrados em três distintas apreensões. O primeiro dispositivo, localizado durante a prisão de Vorcaro no dia 17 de novembro, contém uma quantidade significativa de documentos considerados relevantes para a investigação.

Os peritos da PF estão empenhados na análise de milhares de documentos físicos e digitais. Até o momento, foram apreendidos cerca de 20 dispositivos eletrônicos com alvos da operação. A investigação está em fase intermediária, mas novas etapas seguem no planejamento dos agentes.

A prisão de Vorcaro ocorreu na noite de 18 de novembro de 2025, antes do início oficial da operação. O ex-banqueiro foi capturado ao tentar deixar o país, o que impediu a exclusão prévia de conversas comprometedoras. Com o uso de softwares forenses e após a recusa de Vorcaro em fornecer senhas, a PF recuperou mensagens que sustentam suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e cooptação de servidores públicos.

Rede de contatos e grupos clandestinos

A análise dos aparelhos revelou uma rede complexa de contatos envolvendo integrantes do Executivo, Legislativo e alto escalão do Judiciário. Além disso, familiares de Vorcaro também aparecem nos registros, o que teria dado ao esquema “contornos de máfia”, segundo avaliou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Entre os materiais encontrados, foram identificados grupos como “A Turma” e “Os Meninos”, que reuniam policiais, hackers e operadores para monitorar oponentes e promover intimidações. A defesa de Vorcaro nega todas as acusações. As investigações também apontaram pagamentos a servidores do Banco Central e do BRB por informações privilegiadas sobre a venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB). Servidores suspeitos foram afastados.

Entre os documentos, há menções a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado nega qualquer envolvimento. Os arquivos estão em análise para confirmar sua integridade por meio da verificação dos metadados.

Evolução da investigação

No início de 2026, o ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, restringiu a análise aos trabalhos de quatro peritos, o que desacelerou o ritmo da operação. A situação mudou com a entrada do ministro André Mendonça na relatoria, que autorizou a distribuição dos materiais entre peritos federais para acelerar as investigações.

Fonte: Revista Oeste