PF pede prazo adicional para análise de provas contra Lulinha no INSS

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Investigação da PF contra Lulinha enfrenta atrasos e mudanças de equipe

A Polícia Federal (PF) informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que necessita de mais tempo para concluir a análise de materiais vinculados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da Operação Sem Desconto. A investigação, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tem enfrentado desafios relacionados à capacidade operacional da corporação.

De acordo com a PF, apenas 11 servidores estão atuando na análise dos aproximadamente 1.700 itens apreendidos durante a operação. A instituição destacou que cerca de 40% do material foi já revisado, mas ressaltou a insuficiência de pessoal para acelerar o processo. Mendonça, ao ser informado sobre os prazos, exigiu maior velocidade e reforçou a necessidade de manter a equipe investigativa intacta.

As alterações na estrutura da investigação também geraram preocupações no STF. Em fevereiro, o ministro autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, a PF transferiu o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, uma unidade especializada em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Essa mudança foi recebida com ressalvas pelo delegado Guilherme Figueiredo Silva, ex-chefe da divisão anterior. A PF justificou a reorganização afirmando que a nova coordenação tem recursos e expertise para lidar com casos complexos em tramitação no STF. No entanto, a troca de equipe coincidiu com o afastamento do delegado responsável pela operação, que precisou retornar à sua região de origem.

Investigação segue com pendências

Paralelamente, a PF ainda não conseguiu localizar Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), considerado foragido. Lopes é apontado como líder do esquema de fraudes na entidade, cuja prisão preventiva foi decretada por Mendonça em novembro.

Segundo dados da Controladoria-Geral da União, a Conafer registrou R$ 484 milhões em descontos sobre aposentadorias entre 2019 e 2024 – o segundo maior valor entre as entidades investigadas. A investigação também segue aberta sobre a possível ligação de Lulinha com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e sua atuação no esquema.

Outro ponto pendente envolve o acordo de colaboração premiada proposto pelo empresário Maurício Camisotti. A PF identificou transferências financeiras da Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos, uma das principais investigadas na operação, para empresas ligadas ao acusado. Apesar do impasse, a negociação é vista como a mais avançada entre os investigados dispostos a firmar um pacto.

Com informações da Revista Oeste