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Polícia Federal deflagra nova fase da Operação Compliance Zero com foco em Jaques Wagner
A Polícia Federal (PF) deu início nesta quinta-feira, 18, à nona etapa da Operação Compliance Zero. Entre os principais alvos da investigação está o senador Jaques Wagner (PT-BA). A apuração concentra-se em suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes e articulações criminosas envolvendo o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O inquérito ganhou força após a análise de dados contidos no aparelho celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado no caso. A PF busca determinar se o senador utilizou seu mandato no Congresso Nacional para favorecer interesses do Banco Master. O foco dos investigadores recai sobre a tramitação de projetos voltados à ampliação do crédito consignado e sobre a chamada Emenda Master, existindo a suspeita de que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas em troca de sua atuação.
Suspeitas de repasses e ocultação de bens
De acordo com os investigadores, há indícios de que o senador teria sido beneficiado com o recebimento de R$ 3,5 milhões. Além disso, a polícia apura o uso de aviões particulares, apartamentos e ingressos para eventos como parte de possíveis contrapartidas. A PF trabalha com a hipótese de que uma empresa ligada a parentes de Jaques Wagner tenha sido utilizada para dissimular a origem desses recursos.
Apurações anteriores, divulgadas pelo portal Metrópoles em março, apontaram que a BK Financeira, empresa de Bonnie de Bonilha, nora do senador, mantinha contratos com o Banco Master. Bonnie, que é casada com o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, enteado de Wagner, atuava na prospecção de operações de crédito consignado para a instituição financeira.
Moisés Dantas, sócio de Bonnie na BK Financeira, negou qualquer irregularidade. Segundo o advogado, a parceria existe desde 2022 e o trabalho realizado consistiu na prospecção e indicação de convênios de crédito consignado. Dantas afirmou que todos os pagamentos foram devidamente formalizados por notas fiscais e que a documentação contábil está à disposição das autoridades. Em nota, o senador Jaques Wagner declarou que nunca participou de intermediações ou negociações em favor da referida empresa, ressaltando que cabe à companhia prestar esclarecimentos sobre suas atividades.
Investigação sobre a privatização da Cesta do Povo
A Operação Compliance Zero também revisita o processo de privatização da rede estatal de supermercados Cesta do Povo, ocorrido entre 2017 e 2018, período em que Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.
O empresário Augusto Ferreira Lima foi o vencedor da licitação que englobava o programa Cartão Cesta, hoje conhecido como CredCesta. Posteriormente, Lima integrou a sociedade do então Banco Máxima, atual Banco Master, instituição que absorveu o CredCesta.
Sobre este ponto, o senador Jaques Wagner manifestou tranquilidade quanto às investigações. O parlamentar reiterou que o processo de privatização seguiu os trâmites legais, resultando em economia para os cofres estaduais, e negou qualquer tipo de vínculo com práticas ilícitas associadas ao Banco Master.
Fonte: Revista Oeste


