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República Democrática do Congo chega aos EUA para marcar seu retorno à Copa do Mundo
A seleção da República Democrática do Congo desembarcou em Houston, nos Estados Unidos, com foco total em sua estreia na Copa do Mundo. O confronto inicial acontece nesta quarta-feira, às 14h (de Brasília), diante de Portugal. Esta é apenas a segunda vez na história que o país marca presença em um Mundial, sendo a primeira sob a atual nomenclatura.
O caminho até o torneio foi marcado por superação. Sob o comando do técnico francês Sébastien Desabre, a equipe garantiu a vaga após uma trajetória intensa: eliminou Camarões nos acréscimos, superou a Nigéria nos pênaltis durante a repescagem africana e venceu a Jamaica na prorrogação da repescagem mundial. A República Democrática do Congo integra o Grupo K, que, além dos portugueses, conta com as seleções da Colômbia e do Uzbequistão.
Uma história marcada por mudanças
A trajetória da nação é complexa, tendo passado por cinco denominações ao longo dos anos: Estado Livre do Congo, Congo Belga, República do Congo, República do Zaire e, finalmente, República Democrática do Congo.
O período mais sombrio ocorreu entre 1885 e 1908, sob o controle pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica. Durante essa fase, o território foi explorado para a extração de borracha e minerais, com o uso de milícias para impor castigos brutais — como a amputação de membros de nativos que não atingiam as metas de produção. O monarca utilizou os lucros dessa exploração para obras de modernização em Bruxelas, ganhando a alcunha de O Construtor. Estima-se que milhões de pessoas tenham morrido no período.
Após pressão internacional, o Parlamento Belga assumiu o controle, criando o Congo Belga (1908-1960). A independência veio em 30 de junho de 1960, resultando no nome República do Congo. Contudo, a proximidade do nome com uma nação vizinha de origem francesa levou à alteração para República Democrática do Congo em 1964. Já em 1971, o ditador Mobutu Sese Seko implementou a política de Authenticité, renomeando o país como República do Zaire, nome mantido até a queda do regime em 1997, quando a denominação atual foi restaurada.
O trauma de 1974 e a ameaça de Mobutu
A única participação anterior do país em Mundiais ocorreu em 1974, ainda como Zaire. A campanha foi desastrosa, com três derrotas e 14 gols sofridos. O momento mais crítico aconteceu antes do jogo contra o Brasil, quando o ditador Mobutu, irritado com a repercussão negativa internacional após as goleadas contra Escócia (2 a 0) e Iugoslávia (9 a 0), enviou guardas presidenciais para ameaçar o elenco.
Os jogadores foram avisados de que, caso perdessem por uma diferença de quatro gols ou mais para a seleção brasileira, enfrentariam represálias que incluíam a morte, prisão ou castigos severos contra seus familiares. O Brasil venceu por 3 a 0, encerrando o placar exatamente no limite da ameaça imposta pelo regime.
A história por trás do lance icônico e a nova geração da República Democrática do Congo
Um dos momentos mais folclóricos da história das Copas do Mundo envolve o zagueiro Mwepu Ilunga. Durante um confronto contra o Brasil, o defensor da então seleção do Zaire protagonizou uma cena inusitada ao sair da barreira e chutar a bola para longe antes da cobrança de falta de Rivellino. Por muito tempo, o episódio foi visto apenas como uma demonstração de desconhecimento das regras do futebol.
Entretanto, a verdade por trás do gesto veio à tona anos depois, inclusive com relatos do próprio jogador, falecido em 2015. O ato foi uma estratégia deliberada de Ilunga para ganhar tempo e evitar que a Seleção Brasileira ampliasse o placar, revelando a pressão que os atletas sentiam naquele cenário mundial.
O novo momento da seleção africana
Hoje, a República Democrática do Congo busca seu espaço no cenário global. Embora não ostente o mesmo status de seleções africanas consagradas, o elenco atual é composto por atletas com rodagem nas ligas mais competitivas da Europa, muitos deles com formação esportiva na França, Bélgica e Inglaterra.
O principal nome do time é o atacante Yoane Wissa, jogador do Newcastle. O atleta atravessou uma temporada de destaque em 2024/2025 pelo Brentford, acumulando 20 gols e quatro assistências em 39 partidas. Conhecido pela velocidade e agressividade, Wissa atua frequentemente pelas pontas ou como segundo atacante.
Outra referência técnica é o experiente Cédric Bakambu. Aos 35 anos, o centroavante, que hoje defende o Real Betis, da Espanha, possui um currículo extenso com passagens por Villarreal, Olympique de Marseille, Olympiacos e Galatasaray. O atacante chegou a ser protagonista de uma transferência milionária em 2018, quando o Beijing Guoan, da China, desembolsou 40 milhões de euros pelo seu passe. Na última temporada, ele anotou quatro gols em 25 jogos.
Para o futuro, a aposta recai sobre Ngal’ayel Mukau. Aos 21 anos, o meia do Lille, que defendeu as categorias de base da Bélgica antes de escolher a seleção congolesa, é tratado como uma promessa. Com o recente interesse do Barcelona, o jovem jogador vê no Mundial a oportunidade ideal para consolidar seu nome no mercado internacional.



