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Impactos da guerra na Ucrânia: crise humanitária e desafios de reconstrução
Após mais de quatro anos de conflito em larga escala desencadeado pela Rússia, a Ucrânia enfrenta uma realidade marcada por profundas transformações sociais e estruturais. Além do cenário de combate que se estende por centenas de quilômetros, o país lida com as consequências de milhões de deslocamentos populacionais, a destruição generalizada de centros urbanos e a urgente necessidade de fortalecer sua defesa aérea e infraestrutura nacional.
O encarregado de Negócios da Embaixada da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, detalhou os reflexos desse cenário em entrevista. Segundo o diplomata, a configuração demográfica do país foi drasticamente alterada: cerca de 6 milhões de cidadãos ucranianos vivem atualmente no exterior, enquanto outros 4,2 milhões tornaram-se deslocados internos, obrigados a abandonar suas residências devido à violência das hostilidades.
Uma guerra em grande escala que já dura mais de quatro anos mudou a vida da maioria dos ucranianos e causou enormes prejuízos a muitos de nós, afirmou Vlasenko.
Prédio atingido por míssil russo, depois de bombardeio à capital da Ucrânia, Kiev | Foto: Reprodução/X/Dmytro Kuleba
O custo humano e o suporte psicológico
O deslocamento em massa, que já supera a duração da Primeira Guerra Mundial, impôs o desafio de reconstrução de vidas em novas regiões para milhares de famílias. Vlasenko enfatiza que, embora a perda de postos de trabalho e de moradias nas zonas de frente de batalha seja uma realidade cotidiana, a prioridade absoluta permanece sendo a preservação da vida.
Para mitigar os danos invisíveis do conflito, o Estado ucraniano implementou políticas de assistência, com foco especial na saúde mental. Sob a liderança da primeira-dama Olena Zelenska, programas específicos foram criados para atender as vítimas da guerra, reconhecendo o trauma como uma das consequências mais graves para a população civil.
A primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, tem um projeto voltado à saúde mental das vítimas da guerra | Foto: Divulgação/X/@ZelenskaUA
Políticas de reconstrução e acessibilidade
No âmbito habitacional, o governo mantém o programa estatal conhecido como eReconstrução. A iniciativa visa amparar cidadãos que perderam seus lares em ataques, oferecendo compensações por meio de certificados de habitação. Esse documento permite que as famílias adquiram novos imóveis no mercado ou invistam diretamente na construção de novas unidades.
Além disso, o planejamento urbano está sendo adaptado para criar ambientes sem barreiras. O objetivo é atender ao crescente número de pessoas que sofreram ferimentos graves ou mutilações em decorrência dos constantes ataques com mísseis e drones russos.
Parte de Kiev ficou sob escombros depois de um novo ataque russo em março deste ano | Foto: Reprodução/X/@ZelenskyyUa
Necessidade de defesa e suporte internacional
A pressão militar sobre o território ucraniano permanece intensa. Dados apresentados pelo diplomata indicam que, apenas em 2025, a Rússia lançou mais de 60 mil bombas aéreas guiadas, cerca de 2,4 mil mísseis de diversos tipos e mais de 100 mil drones contra alvos ucranianos.
Embora a Ucrânia venha desenvolvendo tecnologia própria para neutralizar drones, Vlasenko ressalta que a defesa antimíssil depende diretamente do apoio de aliados internacionais. A demanda anual é de, pelo menos, 2 mil mísseis interceptadores. Diante da escassez de estoques de mísseis norte-americanos PAC-3, utilizados nos sistemas Patriot, a Ucrânia busca, em parceria com nações europeias, viabilizar soluções nacionais para manter a proteção de seus centros populacionais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também busca um cessar-fogo sem concessão de territórios da Ucrânia | Foto: Reprodução/X/Volodymyr Zelensky
Para Vlasenko, o impacto da agressão russa transcende as fronteiras ucranianas, consumindo recursos globais que poderiam ser aplicados em outras emergências humanitárias. O diplomata reforça que a continuidade do conflito mantém milhões de civis em um estado permanente de vulnerabilidade e ameaça constante.
Fonte: Revista Oeste


