Scaloni e Deschamps buscam igualar recorde histórico de 88 anos na Copa do Mundo

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A caça ao recorde histórico de Vittorio Pozzo na Copa do Mundo

Embora a Itália esteja ausente desta edição da Copa do Mundo, a história do futebol italiano permanece no centro das atenções. O motivo é um feito de longevidade impressionante: o lendário Vittorio Pozzo, arquiteto das conquistas da Azzurra em 1934 e 1938, segue como o único treinador na história a conquistar dois títulos mundiais. O recorde, que já perdura por 88 anos, está agora sob a mira de dois nomes que dominam o cenário atual.

Os holofotes se voltam para o francês Didier Deschamps, campeão em 2018, e o argentino Lionel Scaloni, que conduziu a Argentina ao topo do mundo no Catar em 2022. Ambos buscam o bicampeonato, um desafio que provou ser uma barreira intransponível para diversos estrategistas renomados ao longo das décadas.

O peso da tentativa de repetir o sucesso

A história das Copas registra tentativas frustradas de grandes nomes em alcançar o feito de Pozzo. O argentino Carlos Bilardo, campeão em 1986, chegou perto ao ser vice em 1990. O brasileiro Mario Jorge Lobo Zagallo, vitorioso em 1970, amargou o vice-campeonato em 1998 diante da França, e também alcançou o quarto lugar em 1974.

Outros brasileiros também tentaram, mas com resultados distintos:

  • Vicente Feola: Campeão em 1958, não repetiu o êxito em 1966, tornando-se o único técnico brasileiro eliminado na fase de grupos.
  • Carlos Alberto Parreira: Após o tetra em 1994, teve uma passagem frustrante pela Arábia Saudita em 1998, sendo demitido precocemente. Em 2006, parou nas quartas com o Brasil e, em 2010, não passou da fase inicial com a África do Sul.
  • Luiz Felipe Scolari: Campeão em 2002, levou Portugal ao quarto lugar em 2006, mas viveu o traumático 7 a 1 na semifinal de 2014, quando comandava a Seleção Brasileira.

O cenário em 2026

Ao todo, 15 técnicos de sete nacionalidades tentaram o bicampeonato, mas o posto de Pozzo permanece intacto. Didier Deschamps, aos 57 anos, encara sua quarta Copa consecutiva e já confirmou que este será seu último Mundial à frente da França. A estreia ocorre nesta terça-feira, às 16h (de Brasília), contra Senegal, pelo Grupo I.

Já Lionel Scaloni, aos 48 anos, tem a oportunidade de entrar para a história não apenas pelo bi, mas por superar a marca de precocidade de Vittorio Pozzo, que tinha 52 anos quando conquistou seu segundo título. A Argentina entra em campo nesta terça-feira, às 22h (de Brasília).

Treinadores que trabalharam em Copa do Mundo após conquistar o título mundial.

O desafio de repetir o topo: a trajetória dos técnicos campeões mundiais após o título

Conquistar a Copa do Mundo é o auge da carreira de qualquer treinador de futebol. No entanto, a história mostra que manter o sucesso após erguer o troféu mais cobiçado do planeta é uma tarefa hercúlea. Muitos comandantes que atingiram o ápice do esporte enfrentaram dificuldades, quedas precoces ou campanhas irregulares em suas participações posteriores no torneio.

O levantamento histórico revela como esses estrategistas se saíram após o brilho da glória máxima. De lendas como Sepp Herberger e Zagallo até nomes contemporâneos como Didier Deschamps e Lionel Scaloni, o peso da taça parece acompanhar cada passo seguinte.

Histórico de desempenho dos técnicos campeões em Copas posteriores

Abaixo, detalhamos a trajetória de treinadores que, após conquistarem o mundo, retornaram aos gramados da Copa para tentar repetir o feito ou defender seus legados:

Técnico e País Edição do Título Desempenho pós-título
Sepp Herberger (Alemanha Ocidental) Suíça-1954 Suécia-1958 (4º lugar), Chile-1962 (quartas)
Vicente Feola (Brasil) Suécia-1958 Inglaterra-1966 (fase de grupos)
Alf Ramsey (Inglaterra) Inglaterra-1966 México-1970 (quartas)
Zagallo (Brasil) México-1970 Alemanha Ocidental-1974 (4º lugar), França-1998 (vice-campeão)
Helmut Schön (Alemanha Ocidental) Alemanha Ocidental-1974 Argentina-1978 (segunda fase)
Cesar Luis Menotti (Argentina) Argentina-1978 Espanha-1982 (segunda fase)
Enzo Bearzot (Itália) Espanha-1982 México-1986 (oitavas)
Carlos Bilardo (Argentina) México-1986 Itália-1990 (vice-campeão)
Carlos Alberto Parreira (Brasil) Estados Unidos-1994 França-1998 (Arábia Saudita, demitido na 2ª rodada), Alemanha-2006 (quartas), África do Sul-2010 (África do Sul, primeira fase)
Luiz Felipe Scolari (Brasil) Japão e Coreia do Sul-2002 Alemanha-2006 (Portugal, 4º lugar), Brasil-2014 (4º lugar)
Marcello Lippi (Itália) Alemanha-2006 África do Sul-2010 (primeira fase)
Vicente del Bosque (Espanha) África do Sul-2010 Brasil-2014 (primeira fase)
Joachim Löw (Alemanha) Brasil-2014 Rússia-2018 (primeira fase)
Didier Deschamps (França) Rússia-2018 Catar-2022 (vice-campeão), EUA/México/Canadá-2026
Lionel Scaloni (Argentina) Catar-2022 EUA/México/Canadá-2026

O peso da expectativa

O cenário moderno demonstra que a pressão sobre os campeões é cada vez maior. Exemplos recentes, como as eliminações precoces de Alemanha, Espanha e Itália em fases de grupos após terem sido coroadas, sublinham a dificuldade de renovação e manutenção da competitividade em alto nível. Enquanto Deschamps e Scaloni seguem como nomes ativos para o próximo ciclo, o mundo do futebol aguarda para ver se a história será escrita de forma diferente nos campos da América do Norte em 2026.

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