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Secretário de Governo de Belford Roxo condenado a 100 anos por crimes contra a administração pública
O secretário de Governo do município de Belford Roxo (RJ), Carlos Eduardo Pereira da Silva, identificado publicamente como Dudu Magalhães, foi condenado por um tribunal a uma pena de 100 anos de prisão. A sentença resulta das acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em 26 contratos públicos da administração municipal. Após o julgamento, ele solicitou formalmente sua exoneração do cargo, que foi aceita pelo Executivo local.
As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que o ex-funcionário atuava como operador de um esquema estruturado para direcionar licitações em favor de empresas específicas. As irregularidades identificadas envolvem contratos em diversos setores, incluindo serviços de comunicação, eventos, atendimento médico e fornecimento de materiais destinados à população.
Irregularidades em aquisições para enchentes
Dentre as fraudes descobertas, destaca-se a compra de 24 embarcações previstas para operações de suporte durante enchentes. O município recebeu apenas duas unidades do total adquirido. Além disso, uma auditoria revelou que um bote inflável licitado para resgates foi substituído por um modelo recreativo voltado para uso em piscinas infantis. Outro barco entregue apresentava dimensões inadequadas para as áreas alagadas da região.
A Justiça também apontou suspeitas sobre a contratação de um serviço de buffet para 600 convidados, cujo edital exigia, simultaneamente, que a empresa prestasse serviços gráficos e confeccionasse panfletos. A interpretação judicial considera essa exigência como uma manobra para direcionar a concorrência.
A análise financeira dos registros do ex-secretário revelou um aumento patrimonial superior a 400% em três anos, discrepante dos rendimentos oficiais declarados. Durante esse período, ele adquiriu imóveis de alto valor, incluindo um apartamento avaliado em R$ 1,35 milhão no condomínio Península, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
O processo judicial envolveu outras sete pessoas que também foram condenadas. Carlos Eduardo Pereira da Silva ocupava a chefia da pasta de Governo desde janeiro de 2025, nomeado pelo prefeito Márcio Canella (União Brasil). Na época da indicação, o secretário já era investigado por atos ilegais. Canella afirmou não ter relação com as condutas descritas na sentença.
A defesa de Carlos Eduardo Pereira da Silva ressaltou que não há condenação criminal definitiva e que pretende comprovar a legalidade das atividades desempenhadas durante o exercício do cargo. O caso reforça a necessidade de transparência nos processos licitatórios municipais, conforme destacado em relatórios recentes sobre fiscalização de recursos públicos.
Com informações da Revista Oeste



