Servidores acusam cúpula da Câmara de espionagem e retaliação

Crédito da imagem: Ilustração

Acusação de espionagem interna envolve diretor da Câmara e dois gestores

O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, junto com o diretor de TI Sebastião Neiva Filho e o advogado-adjunto Daniel Borges de Morais, estão no centro de uma investigação que aponta para a utilização de recursos públicos em uma ação de monitoramento interno. A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU) por servidores que expuseram pagamentos milionários em horas extras a funcionários de alta hierarquia da Casa.

De acordo com o documento apresentado ao TCU, os acusados teriam iniciado um rastreamento de dados como forma de represália contra quem denunciou irregularidades. A operação, segundo a representação, começou em 22 de maio — data em que a imprensa questionou uma viagem do diretor-geral à Espanha.

Monitoramento de sistemas e processos

A comissão disciplinar da Câmara solicitou, no mesmo dia, a identificação de servidores que acessaram internamente um processo relacionado ao deslocamento do diretor. A medida foi tomada apesar de os dados já estarem publicados no Portal da Transparência desde 19 de maio.

Três dias depois, o monitoramento se intensificou. O diretor de TI teria ordenado a coleta de informações sobre 71 processos do diretor-geral abertos desde 2025, gerando um total de 814 páginas de registros e envolvendo 93 pessoas. Os dados coletados incluíram pelo menos 38 categorias de metadados, impactando servidores que denunciaram irregularidades, o secretário-geral da Mesa e auditores da área de recursos humanos.

A representação ao TCU classifica a conduta dos acusados como abuso de autoridade, afirmando que os gestores usaram seu poder hierárquico para obstruir a apuração do escândalo. A ação, segundo o documento, violaria a Lei nº 13.608/2018 e resoluções do TCU sobre proteção de denunciantes.

Reivindicações dos denunciantes

O texto encaminhado ao órgão solicita a suspensão imediata do processo disciplinar interno e o afastamento temporário dos três diretores das funções que ocupam. Os denunciantes argumentam que a operação de monitoramento foi realizada com intuito de intimidar quem investiga irregularidades.

Resposta da Câmara

Em nota oficial, a Câmara dos Deputados negou qualquer prática de abuso de poder. A Casa destacou que a apuração de possíveis infrações é um “dever legal” previsto na Lei nº 8.112/1990 e reforçou que os metadados de sistemas corporativos são propriedade da instituição, sendo passíveis de auditoria.

A Câmara explicou que os procedimentos disciplinares tramitam com sigilo absoluto, restritos apenas aos envolvidos e à comissão processante. Além disso, afirmou que até o momento não foi formalmente notificada pelo TCU sobre a representação do Ministério Público de Contas.

O órgão reiterou que o processo interno para investigar os supostos pagamentos irregulares “não encontrou indícios de ilegalidade” e destacou que está disposta a colaborar com as autoridades competentes.

Com informações da Revista Oeste