Startup de ex-funcionário da SpaceX capta 22 milhões para energia geotérmica

Startup de ex-funcionário da SpaceX capta 22 milhões para energia geotérmica

Energia geotérmica: a aposta da Energia Crítica para acelerar a transição energética

Com um potencial global avaliado em pelo menos 42 terawatts pela IEA, a energia geotérmica detém uma capacidade superior ao dobro do consumo de energia mundial registrado no ano anterior. Apesar dessa magnitude, o setor frequentemente fica à sombra de investimentos bilionários voltados para a fissão nuclear de última geração e a energia de fusão.

É neste cenário que uma startup Energia Crítica surge como uma peça fundamental, garantindo US$ 19 milhões em uma rodada de financiamento semente. O objetivo central da empresa é solucionar um gargalo crítico do mercado: a deficiência de turbinas modulares adaptadas especificamente para usinas geotérmicas. O montante captado será integralmente investido no desenvolvimento da sua primeira unidade, com capacidade de 2,5 megawatts.

Vantagem competitiva frente ao setor nuclear

Enquanto as tecnologias de fusão e fissão nuclear projetam suas primeiras operações comerciais apenas para o início da década de 2030, a geotérmica apresenta um cronograma de implementação muito mais ágil. Spencer Jackson, cofundador e CEO da Critical Energy, acredita que a empresa estará operando na escala de gigawatts já nos próximos quatro ou cinco anos.

A relevância dessa expansão é estratégica para o setor de tecnologia. Estimativas recentes indicam que a geotérmica avançada possui potencial para suprir quase dois terços da demanda energética de novos data centers até 2030.

Inovação inspirada na indústria aeroespacial

O grande diferencial da Critical Energy reside na fabricação modular. Segundo Jackson, que trouxe para a empresa a experiência adquirida na SpaceX — onde atuou no desenvolvimento do Falcon Heavy, da Starship e do motor Raptor —, o modelo atual de turbinas grandes, que desabilita a montagem complexa no local, é ineficiente. A proposta é produzir componentes em escala fabril, com redução significativa de custos e prazos.

A estratégia de produção envolve parcerias com escritórios especializados para a fabricação de turbomáquinas que unem princípios de engenharia com motores de foguetes. A startup não descartou a internalização futura de processos, seguindo o modelo verticalizado de empresas como Tesla e SpaceX.

Cronograma de expansão e metas de mercado

  • 2027: Conclusão da primeira usina com turbinas da Critical Energy, em um local geotérmico já existente, semelhante aos modelos da Islândia ou de The Geysers, na Califórnia.
  • Projetos futuros: Desenvolvimento de um módulo de 5 megawatts destinado a empresas de energia geotérmica aprimorada, como a Fervo Energy.
  • Meta de longo prazo: Alcançar a produção de 300 gigawatts anuais até 2045.

Jackson aposta que o amadurecimento da tecnologia atrairá o setor de petróleo e gás. “A energia geotérmica é excelente porque a indústria de óleo e gás possui capacidade técnica para executar milhares de perfurações. Eles dominam a perfuração, mas precisam de turbinas, e há uma escassez massiva desses equipamentos”afirma o executivo.

A rodada semanal foi liderada pela Susa Ventures e Upfront Ventures, contando com o apoio de fundos como MaC Venture Capital, Susquehanna Sustainable Investments, Humba Ventures, Scribble Ventures e Underground Ventures. Além disso, a empresa obteve US$ 3 milhões em dívida de risco via Silicon Valley Bank, totalizando US$ 22 milhões em capital inicial.

Com informações do Techcrunch